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	<title>Reeditando conceitos...</title>
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	<description>Reeditando conceitos e pré conceitos existentes.</description>
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		<title>Só a resistência iraquiana é legítima</title>
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		<pubDate>Wed, 24 Sep 2008 16:37:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gustavo Murad</dc:creator>
				<category><![CDATA[Oriente Médio]]></category>
		<category><![CDATA[Bush]]></category>
		<category><![CDATA[EUA]]></category>
		<category><![CDATA[ocupação]]></category>
		<category><![CDATA[Resistência]]></category>

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		<description><![CDATA[Hana Albayaty, Abdul Ilah Albayaty, Ian Douglas do Comitê do Tribunal de Bruxelas (original disponível em www.brusselstri bunal.org/ResistanceLegal.htm) No Iraque, só a resistência popular nacional — armada, política e civil — tem a autoridade, tanto como fato objetivo como sob o Direito Internacional, para determinar o caminho para a paz e a estabilidade no Iraque. [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=reeditando.wordpress.com&amp;blog=3935576&amp;post=57&amp;subd=reeditando&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Hana Albayaty, Abdul Ilah Albayaty, Ian Douglas do Comitê do Tribunal de Bruxelas<br />
(original disponível em www.brusselstri bunal.org/ResistanceLegal.htm)</p>
<p>No Iraque, só a resistência popular nacional — armada, política e civil — tem a autoridade, tanto como fato objetivo como sob o Direito Internacional, para determinar o caminho para a paz e a estabilidade no Iraque. Nenhum outro ator — e, com certeza, em nenhum caso os políticos títeres instalados pelo USA em uma “Zona Verde” (de Baghdad) de 10 quilômetros quadrados &#8211; podem falar em nome dos iraquianos ou representar a República do Iraque.</p>
<p>A ocupação do Iraque, dirigida pelo USA, é uma viela sem saída política, nem militar, nem moral, nem econômica.</p>
<p>A resistência popular nacional no Iraque é a única legal e legítima representação do povo iraquiano e da República do Iraque.</p>
<p>Só a resistência popular nacional pode e tem autoridade para decidir o caminho para a paz e a estabilidade no Iraque.</p>
<p>Em 2005, o Júri de Consciência do Tribunal Internacional sobre o Iraque estabeleceu claramente a ilegalidade e imoralidade da invasão, ocupação e destruição do Iraque como um Estado e como uma nação, capitaneadas pelo USA.</p>
<p>A legalidade está com o Iraque</p>
<p>Enquanto a plêiade de ilegalidades cometidas pelo USA no Iraque continua desenfreada, a lei internacional afirma:</p>
<p>— A ocupação do Iraque comandada pelo USA é expressamente proibida sob a lei internacional, instituindo mudanças objetivadas a alterar permanentemente as estruturas fundacionais do Estado Iraquiano, incluindo as instituições judiciárias, econômicas e políticas e o tecido social (1). Ademais, e dado que a invasão do Iraque em 2003 foi inequivocamente ilegal sob a lei internacional, são ilegais não apenas a Constituição Permanente designada pelo USA e a Assembléia Nacional, mas toda lei, tratado, acordo e contrato assinados no Iraque desde o início da invasão ilegal e subsequente ocupação. Todos os Estados são obrigados, sob o direito internacional, a não reconhecer como legais as consequências de atos ilegais levados a cabo por outros Estados (2).</p>
<p>— A ocupação comandada pelo USA é proibida, sob o direito internacional, de firmar quaisquer contratos de longo prazo que não tenham o acordo de um governo iraquiano soberano representando o soberano povo iraquiano (3). Dado que, por definição, tal governo não pode existir sob ocupação, todos os intentos de vincular o futuro do petróleo iraquiano a multinacionais estrangeiras — particularmente por meio dos desfavoráveis “Acordos de Produção Compartilhada” (PSAs) — são ilegais, sem validade, efeito ou valor.</p>
<p>— A ocupação comandada pelo USA é inequivocamente proibida, sob o Direito Internacional, de promover ou permitir a divisão do Iraque em três ou mais unidades federais (4). Tal resultado seria uma grave violação das leis de guerra que regem a ocupação beligerante. É igualmente ilegal que a ocupação comandada pelo USA engendre e fomente conflitos étnicos e sectários com o fim de levar a cabo políticas opostas aos interesses do povo iraquiano (5).</p>
<p>— Tendo as políticas da ocupação comandada pelo USA fracassado, as autoridades da ocupação não têm o direito de intentar subjugar os iraquianos pela força. Conduzindo operações punitivas que indiscriminadamente afetam civis ao longo de cidades inteiras — por exemplo os planos em curso para pacificar Baghdad pela quarta vez — são ilegais e puníveis sob o direito internacional (6). A ocupação capitaneada pelo USA e por seus mandatários feudais impostos, estão perpetrando punições coletivas, crimes contra a humanidade, utilizando armas proibidas e violando as leis de guerra ao não reconhecer os combatentes da resistência como combatentes (7).</p>
<p>— A campanha em curso de assassinatos, torturas, violações e terror contra os cidadãos sunitas do Iraque, incluindo a operação de esquadrões da morte financiados pelo EUA, constitui genocídio sob a Convenção sobre Genocídio de 1951 (8). O fracasso das forças de ocupação em proteger, como são obrigados sob a lei internacional, o direito à vida e em assegurar a segurança de todos os cidadãos iraquianos — independente de crenças confessionais ou outras singularidades — constitui Crime de Guerra e Crime contra a Humanidade (9).</p>
<p>— Só a resistência popular nacional é legal no Iraque. Sua legalidade e legitimidade é baseada em numerosos instrumentos do Direito Internacional, incluindo documentos fundamentais e determinantes como a Carta das Nações Unidas (10). Deveria ser reconhecida como um exército combatente e como a continuidade do Estado Iraquiano.</p>
<p><strong>Só a resistência é legal</strong></p>
<p>No Iraque, só a resistência popular nacional — armada, política e civil — tem a autoridade, tanto como fato objetivo como sob o Direito Internacional, para determinar o caminho para a paz e a estabilidade no Iraque. Nenhum outro ator — e, com certeza, em nenhum caso os políticos títeres instalados pelo USA em uma “Zona Verde” (de Baghdad) de 10 quilômetros quadrados — podem falar em nome dos iraquianos ou representar a República do Iraque.</p>
<p>A total responsabilidade pelos desastres que se têm causado sobre o povo iraquiano recai sobre o USA e seus fracassados “processo político” e medidas de segurança. Nenhuma escalada militar pode prover uma solução. A ocupação deve acabar e acabar já.</p>
<p>Notas dos autores e de IraqSolidaridad (www.iraq solidaridad.org):</p>
<p>1. Artigos 43 e 55 da Convenção de Haia IV, 1907, relativos às leis e costumes da guerra terrestre; artigos 54 e 64 da Convenção de Genebra IV, 1949, sobre a proteção de civis em tempos de guerra.</p>
<p>2. Artigo 41(2) dos Artigos Preliminares sobre Responsabilidade Estatal da Comissão de Direito Internacional das Nações Unidas, representando a norma do direito internacional consuetudinário (e adotada na Resolução 56/83 da Assembléia Geral das Nações Unidas de 26/01/2002, Responsabilidade dos Estados por Atos Internacionalmente Ilícitos), impede os Estados de se beneficiarem de seus próprios atos ilegais: “Nenhum Estado reconhecerá como legal uma situação (de uma obrigação derivada de uma norma obrigatória do Direito Internacional geral)” (destaque do autor); Seção III(e), Resolução 36/103 da Assembléia Geral das Nações Unidas, de 14/12/1962, Declaração sobre a Inadmissibilidade de Intervenção e Interferência nos Assuntos Internos dos Estados.</p>
<p>3. Resolução 1803 (XVII) da Assembléia Geral das Nações Unidas, de 14/12/1962, Soberania Permanente sobre Recursos Naturais.</p>
<p>4. Em 11/10/2006 o parlamento iraquiano dava sinal verde à lei que permitirá o estabelecimento de regiões autônomas no Iraque.</p>
<p>5. Resolução 1514 (XV) da Assembléia Geral das Nações Unidas, de 14/12/1960, Declaração sobre a Concessão de Independência aos países e povos coloniais.</p>
<p>6. Artigo 50 do Regulamento da Convenção de Haia IV, 1907; artigo 33, Convenção de Genebra IV, 1949: “Estão proibidas as punições coletivas e qualquer medida de intimidação ou de terrorismo”; artigo 51, Protocolo I da Convenção de Genebra, 1977.</p>
<p>7. Artigo 3 do Regulamento da Convenção de Haia IV, 1907: “As forças armadas das partes beligerantes podem consistir em combatentes e não-combatentes. Em caso de captura pelo inimigo, ambos têm direito a serem tratados como prisioneiros de guerra”.</p>
<p>8. Artigos 2 e 3 da Convenção sobre a Prevenção e Punição do Crime de Genocídio, 1951.</p>
<p>9. Princípio VI, Princípios do Direito Internacional Reconhecidos na Carta do Tribunal de Nuremberg e no Julgamento do Tribunal, adotado pela Comissão de Direito Internacional das Nações Unidas, 1951.</p>
<p>10. Os direitos à autodeterminação, independência nacional, integridade territorial, unidade nacional, e soberania sem interferência externa foram afirmados numerosas vezes por uma série de organismos das Nações Unidas, incluindo o Conselho de Segurança, a Assembléia Geral, a Comissão de Direitos Humanos, a Comissão de Direito Internacional e a Côrte Internacional de Justiça. O princípio da autodeterminação prevê que quando se suprime estes direitos pela força, pode-se fazer uso da força para opôr-se e conseguir a autodeterminação.<br />
A Comissão de Direitos Humanos tem rotineiramente reafirmado a legitimidade da luta contra a ocupação com todos os meios disponíveis, incluindo a luta armada (Resolução nº 3, XXXV, dessa Comissão, 21/02/1979). Expressamente, a Resolução 37/43 da Assembléia Geral, adotada em 03/12/1982: “Reafirma-se a legitimidade da luta dos povos por independência, integridade territorial, unidade nacional e libertação da dominação colonial e estrangeira, por todos os meios disponíveis, incluindo a luta armada” (Ver também as Resoluções da Assembléia Geral 1514, 3070, 3103, 3246, 3328, 3382, 3421, 3481, 31/91, 32/42 e 32/154).<br />
O artigo 1(4) do Protocolo I da Convenção de Genebra, 1977, considera as lutas por autodeterminação como situações de conflito armado internacional. A Declaração de Genebra sobre o Terrorismo estabelece: “Como reiteradamente reconhecido pela Assembléia Geral das Nações Unidas, os povos que estão lutando contra dominação colonial, ocupação estrangeira e regimes racistas, no exercício do seu direito a autodeterminação têm o direito de usar a força para conseguir seus objetivos nos marcos do Direito Internacional Humanitário. Tal uso legal da força não pode ser confundido com atos de terrorismo internacional”.<br />
No exercício do seu direito a autodeterminação, os povos sob dominação colonial e estrangeira têm o direito “de lutar…e buscar e receber apoio, de acordo com os princípios da Carta [das Nações Unidas]” e, em conformidade com a Declaração de Princípios de Direito Internacional relativos às Relações Amistosas e Cooperação entre Estados. É nesses mesmos termos que o artigo 7 da Definição de Agressão (Resolução 3314 (XXIX) da Assembléia Geral, 14/12/1974) reconhece a legitimidade da luta dos povos sob dominação colonial e estrangeira.<br />
A Declaração de Princípios de Direito Internacional relativos às Relações Amistosas e Cooperação entre Estados (Resolução 2625(XXV) da Assembléia Geral) cita o princípio de que “Os Estados se absterão em suas relações internacionais, da ameaça ou uso da força contra a integridade territorial ou independência política de qualquer Estado, ou de qualquer outra atuação incompatível com os propósitos das Nações Unidas”.<br />
O reconhecimento, pela ONU, da legitimidade da luta dos povos sob dominação ou ocupação colonial e estrangeira está em consonância com a proibição geral do uso da força consagrado como princípio fundamental da Carta das Nações Unidas, porque um Estado que forçosamente subjuga um povo a dominação colonial e estrangeira está cometendo um ato ilegal, tal como definido no Direito Internacional, e o povo submetido, no exercício de seu inerente direito à autodefesa, lutará para defender e conseguir seu direito à autodeterminação.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/reeditando.wordpress.com/57/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/reeditando.wordpress.com/57/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/reeditando.wordpress.com/57/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/reeditando.wordpress.com/57/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/reeditando.wordpress.com/57/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/reeditando.wordpress.com/57/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/reeditando.wordpress.com/57/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/reeditando.wordpress.com/57/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/reeditando.wordpress.com/57/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/reeditando.wordpress.com/57/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/reeditando.wordpress.com/57/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/reeditando.wordpress.com/57/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/reeditando.wordpress.com/57/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/reeditando.wordpress.com/57/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=reeditando.wordpress.com&amp;blog=3935576&amp;post=57&amp;subd=reeditando&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Tariq Ali: O padrinho mafioso presidirá o Paquistão</title>
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		<pubDate>Tue, 16 Sep 2008 18:24:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gustavo Murad</dc:creator>
				<category><![CDATA[Asia]]></category>
		<category><![CDATA[Benazir Bhutto]]></category>
		<category><![CDATA[Musharraf]]></category>
		<category><![CDATA[Paquistão]]></category>
		<category><![CDATA[Tariq Ali]]></category>

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		<description><![CDATA[Asif Ali Zardari – que o destino fadara a ser apenas o marido de Benazir Bhutto, mas em seguida fez o que pôde para não voltar à obscuridade – em breve se tornará o novo presidente do Paquistão. Os parasitas aduladores, que nunca faltaram no país, orquestrarão uns tantos shows comemorativos e as ágeis línguas [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=reeditando.wordpress.com&amp;blog=3935576&amp;post=54&amp;subd=reeditando&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Asif Ali Zardari – que o destino fadara a ser apenas o marido de Benazir Bhutto, mas em seguida fez o que pôde para não voltar à obscuridade – em breve se tornará o novo presidente do Paquistão. Os parasitas aduladores, que nunca faltaram no país, orquestrarão uns tantos shows comemorativos e as ágeis línguas dos velhos cúmplices (alguns hoje aposentados como embaixadores em capitais do Ocidente) entoarão loas à democracia. O círculo íntimo de amigos de Zadari, que partilhou com ele o butim do poder e permaneceu-lhe leal, recusando-se a entregar evidências de corrupção contra ele, também se deliciará. Não admira, pois, que a definição de democracia, no Paquistão, dependa de quem a faz.</p>
<p>Não haverá manifestações de alegria nas ruas para assinalar a transferência de poder, de um general decadente para um político decadente. O afeto que alguns sentem pela família Bhutto é intransferível.</p>
<p>Se Benazir estivesse viva, Zardari não iria ter nenhum posto oficial. Ela cogitava dois políticos de primeiro escalão para a Presdência. Fosse Benazir mais inclinada à democracia, nunca teria tratado seu partido com tanto desdém, reduzindo-o ao status de um legado familiar, com o marido como tutor até que o filho tenha idade para herdar.</p>
<p>Isso, e apenas isso, fez Zardari chegar no topo. Mesmo quando Benazir era viva ele não era bemquisto por muitos dos mais próximos colaboradores dela dentro do Partido do Povo (ou &#8221;a Família Bhutto&#8221;, como muitos filiados desgostosos dizem). Estes atribuíam à cobiça e ao comportamento mafioso de Zardari as duas ocasiões em que sua mulher perdeu o poder – algo que eu sempre considerei um tanto injusto. Ela sabia. Aquilo era uma empresa conjunta. Benazir nunca considerou a política como a única paixão de sua vida e sempre teve inveja do estilo de vida dos muito ricos. Esforçou-se escamcaradamente por imitá-los.</p>
<p>Zardari é hoje a segunda pessoa mais rica do paquistão. Tem propriedades e contas bancárias em vários continentes, inclusive uma mansão em Surrey (ao sul de Londres) que vale muitos milhões. Muitos dos íntimos de Benazir, agora são mantidos à distância pelo novo chefe e o odeiam. Zardari chafurdou no esterco para eleger sua irmã apolítica, por Larkana, até hoje um curral eleitoral da famíulia Bhutto. O tio de Benazir, Mumtaz Bhutto (o chefe do clã), denunciou-o acidamente. Alguns até dão ouvidos à grotesca idéia de que ele de alguma forma foi o responsável pela morte dela. Isso é tolice. Ele está apenas tentando executar o legado da esposa.</p>
<p>Mas é certo que Zardari foi acusado de ordenar a morte de seu cunhado, Murtaza Bhutto, quando Benazir era primeira ministra, embora o caso nunca tenha ido a julgamento. Caracteristicamente, um dos primeiros atos de Zardari deois da vitória de seu partido, em fevereiro, foi indicar Shoaib Suddle, o principal policial a investigar a morte de  Murtaza Bhutto, como chefão da Agência federal de Inteligência. Ele sempre recompensa as lealdades.</p>
<p>No país como um todo a reputação dele, sempre modesta, apequenou-se. A maioria dos 190 milhões de habitantes do Paquistão pode ser pobre, iletrada ou semiletrada, mas seus instintos normalmente funcionam.</p>
<p>Uma pesquisa de opinião feita pela New America Foundation alguns meses atrás revelou índices de aprovação vergonhosos para Zardari – menos de 14%. Esta cifra confirma a opinião de que ele é o maior golpe no já precário orgilho nacional paquistanês.</p>
<p>O povo não terá vez nessa eleição. Cabalas parlamentares ká determinaram o resultado. Eu não levei muito a sério uma recente revelação de que um psiquiatra diagnosticara Zardari como sofrendo demência aguda, incapaz de reconhecer os filhos devido a uma crônica perda de memória. É fato sabido que esse parecer psiquiátrico estava pronto de antemão, para a corte de justiça, no caso de  ele ser submetido a um processo, em Londres ou Genebra, por lavagem de dinheiro ou corrupção. Tudo isso ficou em suspenso agora, com sua conversão em figura-chave da &#8221;guerra ao terror&#8221;.</p>
<p>Um pequeno mist´rio permanece: Por que de repente os EUA resolveram retirar seu apoio ao gneral Musharraf? Helene Cooper e Mark Mazzetti deram uma resposta dia 26 de agosto, no New York Times. Disseram que o departamento de Estado não concordava com uma saída tão indigna e apressada, mas, contra esta opinião, uma facção neoconservadora encabeçada por Zalmay Khalilzad, o embaixador dos EUA no Conselho de Segurançam], aconselhava secretamete Asif Zardari, ajudando-o na campanha para descartar o general.</p>
<p>&#8220;Durante o último mês o senhor Khalilzad tinha falado por telefone várias vezes por semana com o senhor Zardari, líder do Partido do Povo do Paquistão, até que foi repreendido por tais contatos não autorizados; um funcionário de alto escalão dos EUA interpelou-o: &#8221;Posso perguntar que tipo de &#8216;assessoria&#8217; você está proporcionando?&#8221; E Boucher escreveu um indignado e-mail a Khalilzad: &#8221;Que tipo de canal é esse? Governamental, privado, pessoal?&#8221; Cópias da mensagem foram enviadas ao restante do pessoal nos níveis mais elevados do Departamento de Estado. A mensagem foi entregue ao New York Times por um funcionário que recebera uma cópia.</p>
<p>Khalilzad é um divisionista inveterado e um mestre da intriga. Tendo colocado Hamid Karzai  em Cabul (com resultados nefastos, como muitos em Washington já admitem), estava furioso com Musharraf fois este se recusava a dar cem por cento de apoio ao afegão. Khalilzad viu uma oportunidade de castigar Musharraf e ao mesmo tempo tentar criar um equivalente paquistanês de Karzai.  Zadari preenchia os requisitos. É perfeitamente capaz de se converter em uma criatura de Washington.</p>
<p>O overno suíço decidiu, muito oportunamente, liberar milhões de dólares das contas bancárias de Zardari, que até então estavam congeladas devido a casos pendentes de corrupção. Como sua esposa, Zardari estava agora sendo lavado, tal e qual o dinheiro que fez enquanto esteve no governo como ministro do Investimento. Essa debilidade fará dele um presidente do Paquistão maleável.</p>
<p>A maioria da população é profundamente hostil à presença dos EUA e da Otan no Afeganistão. Quase 80% é a favor de um acordo negociado e da retirada das tropas estrangeiras. Há três dias, um comando estadunidense entrou no Paquistão, &#8221;procurando terroristas&#8221; e 20 inocentes foram assassinados. Zardari estava sendo testado. Mas caso permita que as tropas dos EUA entrem na província fronteiriça em missões &#8221;de busca e destruição&#8221;, sua carreira será curta, e de um ou outro modo os militares terminarão voltando. O Estado Maior não pode se dar ao luxo de ignorar o crescente mal-estar entre os recrutas mais jovens, forçados a matar sua própria gente.</p>
<p>O presidente do Paquistão foi concebido na Constituição de 1972 como uma figura ornamental. Os ditadores militares subverteram e alteraram a Constituição em proveito próprio. Voltará Zardari à Constituição de seu sogro (Ali Bhutto)? Ou conservará os poderes existentes?</p>
<p>O país necessita desesperadamente de um presidente capaz de exercer alguma autoridade moral e jogar um papel como consciência nacional. O desaparecido presidente do Supremo Tribunal, vemn obrigatoriamente à mente, assim como Imran Khan e I.A. Rehman (o presidente da Comissão de Direitos Humanos). Mas a elite governante e seus interessados patrocinadores em Washington sempre se mostraram cegos para as necessidades reais do Paquistão. Deviam ter mais cuidado. As chispas que saltam na fronteira com o Afeganistão podem provocar um incêncio difícil de dominar.</p>
<p>Fonte: CounterPunch: http://www.counterpunch.org</p>
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		<title>Fantoche estadounidense no Iraque: Ministro da Educação abre fogo sobre estudantes</title>
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		<pubDate>Tue, 19 Aug 2008 17:51:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gustavo Murad</dc:creator>
				<category><![CDATA[América do Norte]]></category>
		<category><![CDATA[Oriente Médio]]></category>
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		<description><![CDATA[No dia 27 de Junho de 2008 o ministro da Educação do Iraque, &#8220;Khudayer al-Khuza&#8217;i&#8221;, encontrava-se de visita a um dos centros de exame final no campus da faculdade de Educação situada no distrito &#8220;Seba&#8217; Abkar&#8221; da cidade de Adhamiya. Quando o ministro entrou no centro, os estudantes começaram a queixar-se das suas péssimas condições: [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=reeditando.wordpress.com&amp;blog=3935576&amp;post=52&amp;subd=reeditando&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>No dia 27 de Junho de 2008 o ministro da Educação do Iraque, &#8220;Khudayer al-Khuza&#8217;i&#8221;, encontrava-se de visita a um dos centros de exame final no campus da faculdade de Educação situada no distrito &#8220;Seba&#8217; Abkar&#8221; da cidade de Adhamiya. Quando o ministro entrou no centro, os estudantes começaram a queixar-se das suas péssimas condições: não havia energia para pôr a ventilação a funcionar, a temperatura era de 55º C e não havia água para beber. Os estudantes também relataram ao ministro muitos outros problemas que se lhes punham e que lhes dificultava muito a realização dos seus exames finais. Ao ouvir as queixas daqueles estudantes frustrados, o ministro da Educação puxou da pistola e começou a alvejar os estudantes com balas verdadeiras. Em simultâneo os seus guarda-costas começaram a disparar à toa sobre os estudantes. Foram mortos e feridos muitos estudantes iraquianos inocentes neste terrível incidente.</p>
<p>Irmãos e irmãs de todo o mundo, pergunto-vos em nome do que quer que adoreis ou acrediteis, alguma vez ouvistes falar duma coisa assim na história? Já ouvistes alguma vez falar de um ministro da Educação a disparar balas verdadeiras contra estudantes desarmados? Suponho que uma coisa destas só pode acontecer na era desastrosa da &#8220;democracia&#8221; no Iraque imposta pelo sr. Bush. O que o sr. Bush impôs no Iraque foi um grupo de criminosos e de ex-condenados e um deles é esse ministro da Educação Khudayer al-Khuza&#8217;i. Permitam-me que esclareça um pouco os seus antecedentes para que, caros leitores, fiqueis a conhecer um pouco do chamado governo iraquiano que recebeu o poder e goza do forte apoio do sr. Bush.</p>
<p>O seu nome completo é &#8220;Khudayer Moses Jaafer al-Khuza&#8217;i&#8221;. A sua nacionalidade inicial era iraniana e a segunda é canadiana. É nesse país que a família recebe pensões da segurança social. A acrescentar a isto também tem nacionalidade iraquiana. É um membro importante das milícias da divisão al-Anzi do partido al-Da&#8217;wa. Afirmou ter um doutoramento em ciências do Alcorão na Universidade Qum do Irão. Mas quando o director do Departamento de Ciências do Alcorão, Dr. Khairo, provou que ele não possuía tal grau e que na realidade o ministro al-Khuza&#8217;i não possuía nenhum grau académico de nenhum país, o Dr. Khairo foi sequestrado e assassinado. Veio a demonstrar-se depois que este ministro nem sequer tem um certificado académico básico, tendo sido reprovado no quinto ano da escola primária. Um dos iraquianos que viveu com ele no mesmo edifício em Londres disse-me que &#8220;fiquei estupefacto quando li que ele afirmava ter um doutoramento. Sabia bem que ele tinha chumbado o quinto ano da escola primária. Sabia que ele costumava ganhar a vida antes da invasão a trabalhar como rozkhon &#8220;. Rozkhon é uma pessoa que conta histórias tristes num funeral para fazer chorar os acompanhantes do mesmo. Os acompanhantes normalmente dão pequenas gratificações aos rozkhon, 25 cêntimos ou meio dólar. A própria palavra rozkhon é uma palavra iraniana, não é iraquiana.</p>
<p>Outra coisa importante sobre este ministro é que ele é um importante chefe dos esquadrões da morte no Iraque. No ano passado, em 2007, alguns dos residentes na cidade de al-Sha&#8217;ab avisaram o exército americano de estranhos sons de gritos e choros que saíam da mesquita de al-Husseiniya, uma das mesquitas controladas pelas milícias da divisão al-Anzi do partido al-Da&#8217;wa, chefiadas pelo ministro Khuza&#8217;i. Quando o exército americano entrou nesta mesquita deparou-se com coisas terríveis: locais de tortura, instrumentos de tortura como brocas eléctricas, cabos eléctricos, grandes facas, e ácido para queimar carne humana. As pessoas que ali se encontravam relataram tristemente que muitos inocentes sequestrados e ali encerrados haviam sido massacrados algumas horas antes de o exército americano ter entrado na mesquita. Logo a seguir o exército americano dirigiu-se directamente ao gabinete do jornal do partido al-Da&#8217;wa no distrito de al-Wezwriya. Este local também era controlado pelas milícias da divisão al-Anzi do partido al-Dawa que são formadas na sua maioria por gente da Guarda Revolucionária Iraniana. Tragicamente encontraram ali as mesmas coisas: locais de tortura, instrumentos de tortura e montes de cadáveres.</p>
<p>Agora permitam-me que vos fale um pouco dos prejuízos e da destruição que ele provocou no Ministério da Educação desde que ali assumiu o cargo. A primeira coisa que fez foi despedir a maior parte dos empregados competentes, respeitáveis e qualificados, em especial os directores-gerais e chefes de departamento e substituí-los por ex-condenados e gente ignorante que, tal como ele, não tinham qualquer grau académico. A única qualificação que tinham era a sua lealdade e afinidade com o Irão e com o seu chefe Ali Khameini que o ministro al-Khuza&#8217;i adora. A segunda coisa mais importante que ele fez no Ministério da Educação foi roubar todo o dinheiro destinado a reconstruir e mobilar as escolas. Deitou a mão a cerca de dois mil milhões de dólares e dividiu-os por alguns dos funcionários do ministério que haviam sido por ele nomeados. O que tinha o cargo mais elevado era o inspector-geral do ministério. A parte do ministro al-Khuza&#8217;i neste roubo foi de 500 mil dólares, que foram depositados na sua conta num dos bancos de Amman, na Jordânia por um dos empreiteiros fictícios que alegadamente não recebeu qualquer contrato para a construção de escolas iraquianas.</p>
<p>Ver também:</p>
<p><a href="http://www.iraqirabita.org/english/index.php?do=article&amp;id=869" target="_blank">Employment Mafia Inside the Iraqi Government Led by the Education Minister Who Lately Bought a 460 Million Dollar Palace In Canada</a></p>
<p>O original encontra-se <a href="http://www.iraqirabita.org/english/index.php?do=article&amp;id=868" target="_blank">aqui</a>.</p>
<p>Tradução de Margarida Ferreira</p>
<p>Este artigo encontra-se <a href="http://resistir.info/iraque/minister_opens_fire_p.html" target="_self">aqui</a>.</p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/reeditando.wordpress.com/52/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/reeditando.wordpress.com/52/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/reeditando.wordpress.com/52/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/reeditando.wordpress.com/52/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/reeditando.wordpress.com/52/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/reeditando.wordpress.com/52/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/reeditando.wordpress.com/52/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/reeditando.wordpress.com/52/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/reeditando.wordpress.com/52/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/reeditando.wordpress.com/52/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/reeditando.wordpress.com/52/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/reeditando.wordpress.com/52/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/reeditando.wordpress.com/52/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/reeditando.wordpress.com/52/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/reeditando.wordpress.com/52/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/reeditando.wordpress.com/52/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=reeditando.wordpress.com&amp;blog=3935576&amp;post=52&amp;subd=reeditando&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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	</item>
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		<title>Blackwater: o Estado irresponsável</title>
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		<pubDate>Fri, 15 Aug 2008 12:37:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gustavo Murad</dc:creator>
				<category><![CDATA[América do Norte]]></category>
		<category><![CDATA[Oriente Médio]]></category>
		<category><![CDATA[A ascensão do Exército mercenário mais poderoso do m]]></category>
		<category><![CDATA[Blackwater]]></category>
		<category><![CDATA[Erik Prince]]></category>
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		<category><![CDATA[Lula]]></category>
		<category><![CDATA[massacre]]></category>
		<category><![CDATA[SuperTucano]]></category>

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		<description><![CDATA[Por Gustavo de Almeida Sites norte-americanos de discussão política se dividem no momento entre críticas e elogios ao governo Lula, por ter autorizado a venda &#8211; oficializada desde o dia 22 de julho passado &#8211; de seis aviões SuperTucano da privatizada (desde 1994) Embraer à companhia de segurança privada Blackwater USA, do multimilionário Erik Prince. [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=reeditando.wordpress.com&amp;blog=3935576&amp;post=46&amp;subd=reeditando&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Por Gustavo de Almeida</p>
<p>Sites norte-americanos de discussão política se dividem no momento entre críticas e elogios ao governo Lula, por ter autorizado a venda &#8211; oficializada desde o dia 22 de julho passado &#8211; de seis aviões SuperTucano da privatizada (desde 1994) Embraer à companhia de segurança privada Blackwater USA, do multimilionário Erik Prince. No fim do ano passado, Prince foi aos tribunais americanos &#8211; nunca como acusado &#8211; responder pelo massacre de 17 civis inocentes iraquianos em Bagdá, entre estes idosos, mulheres e crianças. A chacina abalou o mundo inteiro, e até hoje a Blackwater sustenta que estava se defendendo de um ataque terrorista que utilizava um carro-bomba.</p>
<p>Até hoje não se tem notícias ou testemunhos de terroristas no episódio. A história terrível do massacre, da carnificina, está descrita no livro Blackwater &#8211; A ascensão do Exército mercenário mais poderoso do mundo, um monumental trabalho jornalístico de 538 páginas do nova-iorquino Jeremy Scahill. O autor, um jornalista de televisão, entrevistou parentes e sobreviventes do ataque da Blackwater.</p>
<p>Nos sites, os internautas criticam Lula pela autorização para que a Embraer vendesse os aviões. No site <a href="http://www.democraticunderground.com/" target="_blank">Democratic Underground</a>, de orientação visivelmente democrata, se ataca Lula e ainda é anunciado o preço do SuperTucano: 9 milhões de dólares. &#8220;O governo americano deveria permitir que eu comprasse armas pesadas para me defender, no caso de eu ser atacado por um SuperTucano pilotado por um mercenário&#8221;, critica um internauta.</p>
<p>Já no blog <a href="http://blackblawg.blogspot.com/2008/06/report-lula-approved-fighter-plane-sale.html" target="_blank">Blackwater Facts</a>, Lula é tratado como um benfeitor.</p>
<p>É curioso que um blog que enaltece um dos ícones da gestão George W. Bush elogie o esquerdista Luiz Inácio Lula da Silva. E, reparem: no blog pró-mercenários, o preço do avião é exatamente a metade, 4,5 milhões de dólares. Quem será que está certo?</p>
<p>Para quem ainda não conhece, a Blackwater é uma empresa que protege diplomatas e americanos em serviço no Iraque desde 2001, quando os ataques da Al-Qaeda deram lastro político para Donald Rumsfeld e Dick Cheney levarem para a política externa americana os conceitos de força privada que desenvolveram em estudos de seu grupo PNAC (Project for a New American Century), uma organização ultraconservadora e protecionista americana com planos expansionistas nítidos.</p>
<p>&#8220;Quando você quer que uma encomenda chegue rápido, o que você faz? Coloca nos correios ou manda via FeDex?&#8221;, questiona Erik Prince, para justificar a presença da Blackwater, organização que reúne basicamente ex-policiais, ex-militares de Forças Especiais, e todo tipo de profissional de segurança que o Estado basicamente não soube manter.</p>
<p>Hoje, das forças americanas no Iraque, os &#8220;contratados&#8221;, ou seja, gente da Blackwater, ganham mais, muito mais do que os soldados da Nação. Sem contar que estão em maior número.</p>
<p>Ainda hoje há dificuldades em imputar responsabilidades jurídicas à Blackwater. Em 2004, um diplomata americano ainda publicou uma medida provisória anexa ao pacto de governo provisório, mediante a qual funcionários de empresas privadas não podem ser julgados e condenados pelo governo do Iraque.</p>
<p>o Rio, há pouco mais de um ano, o prefeito da cidade enviava e-mails (ex-Blog) discorrendo, tal e qual Erik Prince, sobre as &#8220;vantagens&#8221; da milícia nas favelas, como forma de &#8220;atalho&#8221; jurídico, uma reação do homem de estado à ausência de Estado. E no governo estadual, se argumentava com a &#8220;dificuldade&#8221; de combater as milícias, uma vez que os policiais estariam apenas em &#8220;desvio de conduta&#8221; se estivessem andando armados em uma favela, e, portanto, estariam inimputáveis do ponto de vista jurídico.</p>
<p>A Blackwater e as milícias são atalhos utilizados por um Estado preguiçoso: não querem se responsabilizar pelo homem, pelo cidadão, não querem responsabilidade jurídica pelos atos de seus agentes, não querem pagar o salário que os agentes policiais merecem, não querem pagar processos. Contratam a Blackwater. Rumsfeld e Cheney, se perguntados, talvez apoiassem as milícias cariocas.</p>
<p>Lula, pelo menos, demonstrou que apóia a Blackwater, ao permitir a venda do SuperTucano. As famílias de civis iraquianos assassinadas futuramente pela Blackwater podem agradecer ao nosso presidente.</p>
<p><a href="http://odia.terra.com.br/blog/blogdaseguranca/200808archive001.asp#1218589412001" target="_blank">Link original</a></p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/reeditando.wordpress.com/46/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/reeditando.wordpress.com/46/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/reeditando.wordpress.com/46/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/reeditando.wordpress.com/46/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/reeditando.wordpress.com/46/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/reeditando.wordpress.com/46/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/reeditando.wordpress.com/46/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/reeditando.wordpress.com/46/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/reeditando.wordpress.com/46/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/reeditando.wordpress.com/46/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/reeditando.wordpress.com/46/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/reeditando.wordpress.com/46/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/reeditando.wordpress.com/46/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/reeditando.wordpress.com/46/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/reeditando.wordpress.com/46/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/reeditando.wordpress.com/46/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=reeditando.wordpress.com&amp;blog=3935576&amp;post=46&amp;subd=reeditando&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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	</item>
		<item>
		<title>Cumplicidade no genocídio</title>
		<link>http://reeditando.wordpress.com/2008/08/14/cumplicidade-no-genocidio/</link>
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		<pubDate>Thu, 14 Aug 2008 17:02:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gustavo Murad</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>
		<category><![CDATA[Geórgia]]></category>
		<category><![CDATA[genocídio]]></category>
		<category><![CDATA[Limpeza étnica]]></category>
		<category><![CDATA[Ossétia do Sul]]></category>
		<category><![CDATA[Russia]]></category>

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		<description><![CDATA[por Andrei Areshev Os acontecimentos recentes na Ossétia do Sul podem ser adequadamente descritos como genocídio. O ministro russo da Defesa afirma que as forças georgianas tinham uma superioridade de 12 vezes em todos os parâmetros sobre a força [russa] de manutenção de paz quando começou a invasão georgiana da Ossétia do Sul. Guerrilhas georgianas [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=reeditando.wordpress.com&amp;blog=3935576&amp;post=43&amp;subd=reeditando&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>por Andrei Areshev</p>
<p>Os acontecimentos recentes na Ossétia do Sul podem ser adequadamente descritos como genocídio. O ministro russo da Defesa afirma que as forças georgianas tinham uma superioridade de 12 vezes em todos os parâmetros sobre a força [russa] de manutenção de paz quando começou a invasão georgiana da Ossétia do Sul. Guerrilhas georgianas treinadas por instrutores ocidentais praticamente arrasaram Tshkhinvali e aldeias próximas e cometeram atrocidades sem precedentes nos territórios ocupados. Civis que se escondiam em caves de residências foram mortos com granadas de mão. Pessoas foram queimadas vivas, esmagadas por tanques e mortas utilizando todos os tipos de armas. Relatos de demolições, violência, pilhagem e captura de reféns por forças georgianas que se retiravam do distrito Znaur estão disponíveis. Escolas, hospitais, cemitérios e igrejas foram destruídos. Limpeza étnica total foi perpetrada no distrito oriental de Leninogorsk, o qual era particularmente vulnerável a ataques. Ossetianos foram mortos sem consideração pela idade. Há informações de pessoas escondidas em florestas. O lado georgiano não deixa corredores para a evacuação de feridos e refugiados. A táctica demonstra para além de qualquer dúvida que o objectivo é o extermínio total da população da Ossétia. Líderes georgianos ameaçam abertamente fazer aos abkhazianos o que fizeram aos ossetianos. A baixas civis na Ossétia do Sul não podem ser estimados no momento, mas é claro que as mortes elevam-se a milhares. Dezenas de membros da força russade manutenção da paz foram mortos ou feridos. Alguns dos cadáveres foram tão mutilados que o Ministério da Defesa russo tem dificuldades em identificar os mortos. A matança de forças de manutenção da paz é facto sem precedentes na prática global.</p>
<p>Ao mesmo tempo, os media ocidentais estão a travar uma guerra de informação contra a Rússia, a qual é muito semelhante àquela lançada em torno do Kosovo em 1998 na véspera dos ataques à Jugoslávia. Em alguns casos, os &#8220;objectivos e independentes&#8221; media ocidentais recorrem à falsificação directa. Exemplo: filmagens que mostravam o pesado bombardeamento de Tskhinvali por forças georgianas foram combinadas com um texto que condena alegados ataques da Rússia a cidades georgianas. A Internet ocidental está inundada com fotos encenadas que pretendem retirar dos líderes georgianosa responsabilidade pela tragédia . Jornalistas das principais agências de notícias e media ocidentais estão a trabalhar exclusivamente em Tíflis, enquanto não há jornalistas ocidentais a informarem a partir de Tskhinvali. Praticamente todos os noticiários cobrindo o conflito começam com novas declarações falsas feitas em inglês pelo presidente georgiano. Aos canais de TV russos não é permitido que cheguem ao público ocidental. São efectuados esforços para bloquear sítios russos na Internet.</p>
<p>Não será o acima ser descrito cumplicidade no genocídio?</p>
<p>O regime criminoso de Tíflis que desencadeou a guerra junto à fronteira sul da Rússia e massacrou cidadãos russos de nacionalidade ossetiana espera sair impune disto. Esta esperança é baseada no facto de a opinião pública no Ocidente estar afastada da verdade acerca dos acontecimentos na Ossétia do Sul.</p>
<p>O Kremlin deve entender que a missão da Rússia no Cáucaso será impossível e qualquer estratégia adoptada por Moscovo para impedir a catástrofe humanitária na Ossétia do Sul fracassará se este bloqueio informacional não for rompido.</p>
<p><a href="http://en.fondsk.ru/article.php?id=1537" target="_self">Texto original</a></p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/reeditando.wordpress.com/43/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/reeditando.wordpress.com/43/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/reeditando.wordpress.com/43/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/reeditando.wordpress.com/43/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/reeditando.wordpress.com/43/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/reeditando.wordpress.com/43/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/reeditando.wordpress.com/43/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/reeditando.wordpress.com/43/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/reeditando.wordpress.com/43/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/reeditando.wordpress.com/43/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/reeditando.wordpress.com/43/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/reeditando.wordpress.com/43/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/reeditando.wordpress.com/43/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/reeditando.wordpress.com/43/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/reeditando.wordpress.com/43/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/reeditando.wordpress.com/43/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=reeditando.wordpress.com&amp;blog=3935576&amp;post=43&amp;subd=reeditando&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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			<media:title type="html">Gustavo Murad</media:title>
		</media:content>
	</item>
		<item>
		<title>Como a CIA colocou um dos seus agentes na presidência da República Francesa</title>
		<link>http://reeditando.wordpress.com/2008/07/23/como-a-cia-colocou-um-dos-seus-agentes-na-presidencia-da-republica-francesa/</link>
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		<pubDate>Wed, 23 Jul 2008 14:09:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gustavo Murad</dc:creator>
				<category><![CDATA[América do Norte]]></category>
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		<description><![CDATA[Nicolas Sarkozy deve ser julgado pelas suas acções e não pela sua personalidade. Mas quando as suas acções surpreendem até os seus próprios eleitores, é legítimo debruçarmo-nos em pormenor sobre a sua biografia e interrogarmo-nos sobre as alianças que o conduziram ao poder. Este artigo descreve as origens do presidente da República Francesa. Todas as [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=reeditando.wordpress.com&amp;blog=3935576&amp;post=37&amp;subd=reeditando&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Nicolas Sarkozy deve ser julgado pelas suas acções e não pela sua personalidade. Mas quando as suas acções surpreendem até os seus próprios eleitores, é legítimo debruçarmo-nos em pormenor sobre a sua biografia e interrogarmo-nos sobre as alianças que o conduziram ao poder. Este artigo descreve as origens do presidente da República Francesa. Todas as informações nele contidas são verificáveis, com excepção de duas imputações, pelas quais o autor assume a responsabilidade exclusiva.</p>
<p>Os franceses, cansados das demasiado longas presidências de François Mitterrand e de Jacques Chirac, elegeram Nicolas Sarkozy contando com a sua energia para revitalizar o país. Eles esperavam uma ruptura com anos de imobilismo e ideologias ultrapassadas. Tiveram uma ruptura com os princípios que fundam a nação francesa. Ficaram estupefactos pois este &#8220;hiper presidente&#8221;, a apanhar um novo dossier a cada dia, a atrair a direita e a esquerda para si, a abalar todas as referências até criar uma completa confusão.</p>
<p>Tal como as crianças que acabam de fazer uma grossa asneira, os franceses estão demasiado ocupados a procurar desculpas para admitir a amplitude dos danos e a sua ingenuidade. Recusam-se portanto a ver quem realmente é Nicolas Sarkozy, o que deveriam ter percebido há muito.</p>
<p>O homem é hábil. Tal como um ilusionista, ele desviou as atenções ao oferecer a sua vida privada como espectáculo e a posar nas revistas populares, até fazer esquecer seu percurso político.</p>
<p>Que se compreenda bem o sentido deste artigo: não se trata de criticar o sr. Sarkozy pelas suas ligações familiares, de amizade e profissionais, mas de criticá-lo por ter escondido suas ligações aos franceses que acreditaram, erradamente, estar a eleger um homem livre.</p>
<p>Para compreender como um homem em que todos hoje concordam em ver o agente dos Estados Unidos e de Israel pode tornar-se o chefe do partido gaullista, depois presidente da República Francesa, é preciso remontar atrás. Muito atrás. Teremos de efectuar uma longa digressão no decorrer da qual apresentaremos os protagonistas que hoje se vingam.</p>
<p>Segredos de família</p>
<p>No fim da Segunda Guerra Mundial, os serviços secretos estado-unidenses apoiaram-se no padrinho italo-americano Lucky Luciano para controlar a segurança dos portos americanos e para preparar o desembarque aliado na Sicilia.</p>
<p>Os contactos de Luciano com os serviços dos EUA passam nomeadamente por Frank Wisner Sr. e depois, quando o &#8220;padrinho&#8221; é libertado e se exila na Itália, pelo seu &#8220;embaixador&#8221; corso, Étienne Léandri.</p>
<p>Em 1958, os Estados Unidos, inquietos com uma possível vitória da FLN na Argélia que abriria a África do Norte à influência soviética, decidem instigar um golpe de Estado militar em França. A operação é organizada em conjunto pela Direcção da Planificação da CIA – teoricamente dirigida por Frank Wisner Sr. – e pela NATO. Mas Wisner já havia afundado na demência de modo que é o seu sucessor, Allan Dulles, que supervisiona o golpe. A partir de Argel, generais franceses criam um Comité de Salvação Pública que exerce uma pressão sobre o poder civil parisiense e constrange-o a votar plenos poderes ao general De Gaulle sem ter necessidade de recorrer à força. [1]</p>
<p>Ora, Charles De Gaulle não é o peão que os anglo-saxões acreditavam poder manipular. Num primeiro tempo, ele tenta sair da contradição colonial concedendo uma grande autonomia aos territórios do ultramar no seio de uma União Francesa. Mas é demasiado tarde já para salvar o Império francês pois os povos colonizados não acreditam mais nas promessas da metrópole e exigem a sua independência. Depois de ter conduzido vitoriosamente ferozes campanhas de repressão contra os independentistas, De Gaulle rende-se à evidência. Fazendo prova de uma rara sabedoria política, ele decide conceder a cada colónia a sua independência.</p>
<p>Esta reviravolta foi considerada pela maior parte daqueles que o levaram ao poder como uma traição. A CIA e a NATO apoiam então toda espécie de conspirações para eliminá-lo, inclusive um putsch falhado e uma quarentena de tentativas de assassinato. [2] Entretanto, alguns dos seus partidários aprovam a sua evolução política. Em torno de Charles Pasqua eles criam o SAC, uma milícia para protegê-lo.</p>
<p>Pasqua é ao mesmo tempo um gangster corso e um antigo resistente. Ele casou-se com a filha de um contrabandista de bebidas canadiano que fez fortuna durante a proibição. Dirige a sociedade Ricard que, depois de ter comercializado o absinto, um álcool proibido, respeitabiliza-se a vender anisete. Entretanto, a sociedade continua a servir de cobertura para todas espécie de tráficos relacionados com a família italo-nova-iorquina dos Genovese, aquela de Lucky Luciano. Portanto não é espantoso que Pasqua apele a Étienne Léandri (o &#8220;embaixador&#8221; de Luciano) para recrutar braços fortes e constituir a milícia gaullista. [3] Um terceiro homem desempenha um grande papel na formação do SAC, o antigo guarda costas de De Gaulle, Achille Peretti – também ele um corso.</p>
<p>Assim defendido, De Gaulle concebe com desenvoltura uma política de independência nacional. Sempre afirmando sua pertença ao campo atlântico, ele põe em causa a liderança anglo-saxónica. Opõe-se à entrada do Reino Unido no Mercado Comum Europeu (1961 e 1967); recusa a mobilização dos capacetes azuis da ONU no Congo (1961); encoraja os Estados latino-americanos a libertarem-se do imperialismo americano (discurso do México, 1964); expulsa a NATO da França e retira-se do Comando Integrado do Aliança Atlântica (1966); denuncia a Guerra do Vietname (discurso de Phnon Pehn, 1966); condena o expansionismo israelense aquando da Guerra dos Seis Dias (1967); apoia a independência do Quebeque (discurso de Montreal, 1967); etc&#8230;</p>
<p>Em simultâneo, De Gaulle consolida o poderio da França dotando-a de um complexo militar-industrial incluindo a força de dissuasão nuclear, e garantindo seu aprovisionamento energético. Afasta utilmente os inconvenientes corsos do seu círculo confiando-lhes missões no estrangeiro. Assim, Étienne Léandri torna-se o trader do grupo Elf (hoje Total) [4] , ao passo que Charles Pasqua torna-se o homem de confiança dos chefes de Estado da África francófona.</p>
<p>Consciente de que não pode desafiar os anglo-saxões sobre todos os terrenos ao mesmo tempo, De Gaulle alia-se à família Rothschild. Escolhe como primeiro-ministro o director do banco, Georges Pompidou. Os dois homens formam um par eficaz. A audácia política do primeiro nunca perde de vista o realismo económico do segundo.</p>
<p>Quando De Gaulle se demite, em 1969, Georges Pompidou sucede-lhe brevemente na presidência antes de ser levado por um cancro. Os gaullistas históricos não admitem a sua liderança e inquietam-se com a sua tendência anglófila. Eles urram &#8220;traição&#8221; quando Pompidou, secundado pelo secretário-geral do Eliseu Edouard Balladur, faz entrar &#8220;a pérfida Albion&#8221; no Mercado Comum Europeu.</p>
<p>A fabricação de Nicolas Sarkozy</p>
<p>Apresentado este cenário, retornemos ao nosso personagem principal, Nicolas Sarkozy. Nascido em 1955, é o filho de um nobre húngaro, Pal Sarkösy de Nagy-Bocsa, refugiado em França depois de ter fugido do Exército Vermelho, e de Andrée Mallah, uma judia originária de Tessalónica. Depois de terem três filhos (Guillaume, Nicolas e François), o casal divorcia-se. Pal Sarkösy de Nagy-Bocsa casa-se novamente com uma aristocrata, Christine de Ganay, de quem terá dois filhos (Pierre-Olivier et Caroline). Nicolas não será educado só pelos seus pais, mas mover-se-á nesta família recomposta.</p>
<p>Sua mãe tornou-se a secretária de Achille Peretti. Depois de ter sido co-fundador do SAC, o guarda-costas de De Gaulle havia trilhado uma brilhante carreira política. Fora eleito deputado e maire de Neuilly-sur-Seine, o mais rico arrabalde residencial de Paris, depois presidente da Assembleia Nacional.</p>
<p>Infelizmente, em 1972, Achille Peretti é posto gravemente em causa. Nos Estados Unidos, a revista Time revela a existência de uma organização criminosa secreta, a &#8220;União corsa&#8221;, que controlaria grande parte do tráfico de estupefacientes entre a Europa e a América, a famosa &#8220;French connexion&#8221; que Hollywood levaria às telas. Apoiando-se em audições parlamentares e nas suas próprias investigações, a Time cita o nome de um chefe mafioso, Jean Venturi, preso alguns anos antes no Canadá, e que não é outro senão o delegado comercial de Charles Pasqua para a sociedade de bebidas alcoólicas Ricard. Evoca-se o nome de várias famílias que dirigiriam a &#8220;União corsa&#8221;, inclusive os Peretti. Achille nega, mas deve renunciar à presidência da Assembleia Nacional e escapa mesmo a um &#8220;suicídio&#8221;.</p>
<p>Em 1977, Pal Sarközy separa-se da sua segunda esposa, Christine de Ganay, a qual liga-se então com o nº 2 da administração central do Departamento de Estado dos Estados Unidos. Ela o desposa e instala-se com ele na América. Sendo o mundo pequeno, como é bem sabido, seu marido não é outro senão Frank Wisner Jr., filho do anterior. As funções de Junior na CIA não são conhecidas, mas é claro que ele desempenha um papel importante. Nicolas, que permanece próximo da sua mãe adoptiva (belle-mère), do seu meio irmão e da sua meia irmã, começa a virar-se para os Estados Unidos onde se &#8220;beneficia&#8221; dos programas de formação do Departamento de Estado.</p>
<p>Neste período, Nicolas Sarkozy adere ao partido gaullista. Ali tem contactos com Charles Pasqua, tanto mais frequentes por este ser não só um líder nacional como também o responsável da secção departamental de Hauts-de-Seine.</p>
<p>Em 1982, Nicolas Sarkozy, tendo concluído seus estudos de direito e tendo-se inscrito nos tribunais, casa com a sobrinha de Achille Peretti. Sua testemunha de casamento é Charles Pasqua. Enquanto advogado, Mestre Sarkozy defende os interesses dos amigos corsos dos seus mentores. Ele adquire uma propriedade na ilha da beleza, em Vico, e imagina &#8220;corsisar&#8221; o seu nome substituindo o &#8220;y&#8221; por um &#8220;i&#8221;: Sarkozi.</p>
<p>No ano seguinte é eleito maire de Neuilly-sur-Seine em substituição do seu tio adoptivo, Achille Peretti, abatido por uma crise cardíaca.</p>
<p>Entretanto, Nicolas não tarda em trair sua mulher e, desde 1984, mantém uma ligação escondida com Cecília, a esposa do mais célebre animador da televisão francesa da época, Jacques Martins, que conheceu ao celebrar seu casamento na qualidade de maire de Neully. Esta vida dupla dura cinco anos, até que os amantes deixem seus consortes respectivos para construir um novo lar.</p>
<p>Nicolas é a testemunha de casamento, em 1992, da filha de Jacques Chirac, Claude, com um editorialista do Figaro. Ele não consegue impedir-se de seduzir Claude e de manter uma breve relação com ela, enquanto vive oficialmente com Cecília. O marido enganado suicida-se com a absorção de drogas. A ruptura é brutal e irreversível entre os Chirac e Nicolas Sarkozy.</p>
<p>Em 1993, a esquerda perde as eleições legislativas. O presidente François Mitterand recusa demitir-se e entra em co-habitação com um primeiro-ministro de direita, Jacques Chirac, que ambiciona a presidência e pensa então formar com Edouard Balladur um tandem comparável àquele de De Gaulle e Pompidou. Ele recusa-se a ser novamente primeiro-ministro e deixa o lugar ao seu &#8220;amigo de trinta anos&#8221;, Edouard Balladur. Apesar do seu passado sulfuroso, Charles Pasqua torna-se ministro do Interior. Conservando firmemente o domínio da marijuana marroquina, ele aproveita a sua situação para legalizar as suas outras actividades tomando o controle dos casinos, jogos e corridas na África francófona. Ele também tece ligações na Arábia Saudita e em Israel e torna-se oficial de honra (officier d&#8217;honneur) do Mossad. Nicolas Sarkozy, por sua vez, é ministro do Orçamento e porta-voz do governo.</p>
<p>Em Washington, Frank Wisner Jr. assumiu a sucessão de Paul Wolfowitz como responsável pelo planeamento político no Departamento da Defesa. Ninguém comentou as ligações que o uniam ao porta-voz do governo francês.</p>
<p>É então que retorna ao seio do partido gaullista a tensão que se experimentara trinta anos antes entre os gaullistas históricos e a direita financeira, encarnada por Balladur. A novidade é que Charles Pasqua e com ele o jovem Nicolas Sarkozy traem Jacques Chirac para se aproximarem da corrente Rothschild. Saiu tudo errado. O conflito atingirá seu apogeu em 1995 quando Édouard Balladur se apresenta contra o seu ex-amigo Jacques Chirac à eleição presidencial, e será batido. Acima de tudo, seguindo as instruções de Londres e Washington, o governo Balladur abre as negociações de adesão à União Europeia e à NATO dos Estados da Europa central e oriental, livres da tutela soviética.</p>
<p>Nada dá certo no partido gaullista, onde os amigos de ontem estão prestes a matar-se uns aos outros. Para financiar a sua campanha eleitoral, Edouard Balladur tenta apoderar-se da caixa negra do partido gaullista, escondida na dupla contabilidade da petroleira Elf. Assim que morreu o velho Étienne Léandri, os juízes examinaram a sociedade e os seus dirigentes são encarcerados. Mas Balladur, Pasqua e Sakozy não chegarão a recuperar o tesouro.</p>
<p>A travessia do deserto</p>
<p>Ao longo de todo o seu primeiro mandato, Jacques Chirac manteve Nicolas Sarkozy a distância. O homem fez-se discreto durante esta longa travessia do deserto. Discretamente, continua a estabelecer relações nos círculos financeiros.</p>
<p>Em 1996, Nicolas Sarkozy, tendo por fim conseguido encerrar um processo de divórcio que não acabava, casa-se com Cecília. Eles têm como testemunhas os dois miliardários Martin Bouygues e Bernard Arnaud (o homem mais rico do país).</p>
<p>Último acto</p>
<p>Bem antes da crise iraquiana, Frank Wisner Jr. e seus colegas da CIA planeiam a destruição da corrente gaullista e a ascensão ao poder de Nicolas Sarkozy. Eles agem em três tempos: primeiro a eliminação da direcção do partido gaullista e a tomada de controle deste aparelho, depois a eliminação do principal rival de direita e a investidura do partido gaullista à eleição presidencial, finalmente a eliminação de todo rival sério à esquerda de maneira a que fosse certo ganhar a eleição presidencial.</p>
<p>Durante anos os media foram mantidos excitados pelas revelações póstumas de um promotor imobiliário. Antes de morrer de uma doença grave, ele registou, por uma razão nunca esclarecida, uma confissão em vídeo. Por uma razão ainda mais obscura, a &#8220;cassette&#8221; cai nas mãos de um hierarca do Partido Socialista, Dominique Strauss-Khan, que a faz chegar indirectamente à imprensa.</p>
<p>Se bem que as confissões do promotor imobiliário não resultem em nenhuma sanção judiciária, elas abrem uma caixa de Pandora. A principal vítima dos casos sucessivos será o primeiro-ministro Alain Juppé. Para proteger Chirac, ele assume só todas as infracções penais. O afastamento de Juppé deixa o caminho livre a Nicolas Sarkozy para tomar a direcção do partido gaullista.</p>
<p>Sarkozy explora então a sua posição para constranger Jacques Chirac a retomá-lo no governo, apesar do seu ódio recíproco. Ele acabou por ser ministro do Interior. Que erro! Neste posto, ele controla os prefeitos e a rede de inteligência interna, a qual ele utilizou para colocar os seus indicados nos principais ramos da administração.</p>
<p>Ele também trata dos assuntos corsos. O prefeito Claude Érignac foi assassinado. Se bem que não tenha sido reivindicado, o assassínio foi imediatamente interpretado como um desafio lançado à República pelos independentistas. Após uma longa caçada, a polícia conseguiu prender um suspeito em fuga, Yvan Colonna, filho de um deputado socialista. Desprezando a presunção de inocência, Nicolas Sarkozy anuncia a sua prisão acusando-o de ser o assassino. É que a notícia é demasiado bela, a dois dias do referendo que o ministro do Interior organiza na Córsega para modificar o estatuto da ilha. Seja como for, os eleitores rejeitam o projecto Sarkozy que, segundo alguns, favorece os interesses mafiosos. Se bem que Yvan Colonna posteriormente tenha sido reconhecido culpado, ele sempre clamou a sua inocência e não foi encontrada nenhuma prova material contra ele. Estranhamente, o homem amuralhou-se no silêncio, preferindo ser condenado a revelar o que sabe. Nós revelamos aqui que o prefeito Érignac não foi morto por nacionalistas, mas sim abatido por um assassino a soldo, Igor Pecatte, imediatamente enviado para Angola onde foi contratado pela segurança do grupo Elf. O móvel do crime estava precisamente ligado às funções anteriores de Érignac, responsável pelas redes africanas de Charles Pasqua na Ministério da Cooperação. Quanto a Yvan Colonna, é um amigo pessoal de Nicolas Sarkozy desde há décadas e seus filhos frequentam-se mutuamente.</p>
<p>Explode um novo caso: circulam falsas listagens que acusam mentirosamente várias personalidade de esconderem contas bancárias no Luxemburgo, junto à Clearstream. Dentre as personalidades difamadas, Nicolas Sarkozy. Ele apresenta queixa e sub-entende que seu rival de direita na eleição presidencial, o primeiro-ministro Dominique de Villepin, organizou esta maquinação. Ele não esconde sua intenção de lançá-lo na prisão.</p>
<p>Na realidade, as falsas listagens foram postas em circulação por membros da Fundação Franco-Americana [5] , de que John Negroponte era presidente e de que Frank Wisner Jr. é administrador. O que os juízes ignoram e que nós revelamos aqui é que as listagens foram fabricadas em Londres por uma oficina comum da CIA e do MI6, Hakluyt &amp; Co, de que Frank Wisner Jr. é igualmente administrador.</p>
<p>Villepin defende-se do que é acusado, mas está sob exame, proibido de deixar a sua casa e, de facto, afastado provisoriamente da via política. O caminho está livre à direita para Nicolas Sarkozy.</p>
<p>Resta neutralizar as candidatura da oposição. As quotas de adesão ao Partido Socialista são reduzidas a um nível simbólico para atrair novos militantes. Subitamente milhares de jovens obtém seu cartão do partido. Dentre eles, pelo menos dez mil novos aderentes são na realidade militantes do Partido trotskquista &#8220;lambertista&#8221; (do nome do seu fundador, Pierre Lambert). Esta pequena formação de extrema esquerda historicamente pôs-se ao serviço da CIA contra os comunistas stalinianos durante a Guerra Fria (Ela é o equivalente do SD/USA de Max Shatchman, que formou os neoconservadores nos EUA). [6] Não é a primeira vez que os &#8220;lambertistas&#8221; infiltram o Partido Socialista. Eles nomeadamente plantaram dois célebres agentes da CIA: Lionel Jospin (que se tornou primeiro-ministro) e Jean-Christophe Cambadélis, o principal conselheiro de Dominique Strauss-Kahn. [7]</p>
<p>São organizadas primárias no interior do Partido Socialista a fim de designar seu candidato à eleição presidencial. Duas personalidades estão em concorrência: Laurent Fabius et Ségolène Royal. Só o primeiro representa um perigo para Sarkozy. Dominique Strauss-Kahn entra na corrida tendo por missão eliminar Fabius no último momento. O que ele está em condições de fazer graças aos votos dos militantes &#8220;lambertistas&#8221; infiltrados, que dão os seus votos não a ele mas sim a Royal. A operação foi possível porque Strauss-Kahn, de origem judia marroquina, está há muito na folha de pagamento dos Estados Unidos. Os franceses ignoram que ele dá cursos em Stanford, onde foi contratado pela superintendente da universidade, Condoleezza Rice. [8]</p>
<p>A partir da sua tomada de posse, Nicolas Sarkozy e Condoleezza Rice agradecerão a Strauss-Kahn fazendo-o eleger para a direcção do Fundo Monetário Internacional.</p>
<p>Primeiros dias no Eliseu</p>
<p>Na noite da segunda volta da eleição presidencial, quando os institutos de sondagem anunciam a sua provável vitória, Nicolas Sarkozy pronuncia um breve discurso à nação no seu QG de campanha. Depois, ao contrário de todos os costumes, ele não vai à festa com os militantes do seu partido, mas dirige-se ao Fouquet&#8217;s. O célebre restaurante dos Campos Elíseos, que outrora era o ponto de encontro da &#8220;União corsa&#8221;, hoje é propriedade do operador de casino Dominique Desseigne. Foi posto à disposição do presidente eleito para receber seus amigos e os principais doadores da sua campanha. Uma centena de convidados ali se acotovelam, os homens mais ricos da França ombro a ombro com patrões de casinos.</p>
<p>Depois disso o presidente eleito oferece-se alguns dias de repouso bem merecidos. Tomando um Falcon-900 privado, vai para Malta. Ali repousa no Paloma, o iate de 65 metros do seu amigo Vicent Bolloré, um miliardário formado no Banco Rothschild.</p>
<p>Finalmente, Nicolas Sarkozy toma posse como presidente da República Francesa. O primeiro decreto que assina não é para proclamar uma amnistia, mas para autorizar os casinos dos seus amigos Desseigne e Partouche a multiplicar as máquinas de moedas.</p>
<p>Ele forma sua equipe de trabalho e seu governo. Sem surpresa, encontra-se ali um bem turvo proprietário de casinos (o ministro da Juventude e Desporto) e o lobbyista dos casinos do amigo Desseigne (que se torna porta-voz do partido &#8220;gaullista&#8221;).</p>
<p>Nicolas Sarkozy apoia-se sobretudo em quatro homens:</p>
<p>* Claude Guéant, secretário-geral do Palácio do Eliseu. É o antigo braço direito de Charles Pasqua.<br />
* François Pérol, secretário-geral adjunto do Eliseu. É um associado-gerente do Banco Rothschild.<br />
* Jean-David Lévitte, conselheiro diplomático. Filho do antigo director da Agência Judia. Embaixador da França na ONU, ele foi afastado das suas funções por Chirac que o julgava demasiado próximo de George Bush.<br />
* Alain Bauer, o homem da sombra. Seu nome não aparece nos anuários. É o encarregado dos serviços de informação. Neto do Grande Rabi de Lyon, antigo Grande-Mestre do Grande Oriente da França (a principal obediência maçónica francesa) e antigo nº 2 da National Security Agency estado-unidense na Europa. [9]</p>
<p>Frank Wisner Jr., que entretanto fora nomeado enviado especial do presidente Bush para a independência do Kosovo, insiste em que Bernard Kouchner seja nomeado ministro dos Negócios Estrangeiros com uma dupla missão prioritária: a independência do Kosovo e a liquidação da política árabe da França.</p>
<p>Kouchner, um judeu de origem báltica, começou sua carreira a participar na criação de uma ONG humanitária. Graças aos financiamentos da National Endowment for Democracy, ele participou nas operações de Zbigniew Brzezinski no Afeganistão, ao lado de Oussama Ben Laden e dos irmãos Karzaï contra os soviéticos. Nos anos 90 podia ser encontrado junto a Alija Izetbegoviç na Bosnia-Herzégovina. De 1999 à 2001 foi Alto Representante da ONU no Kosovo.</p>
<p>Sob o controle do irmão mais novo do presidente Hamid Karzaï, o Afeganistão tornou-se o primeiro produtor mundial de papoula. O seu sumo é transformado ali em heroína e transportado pela US Air Force para Campo Bondsteel (Kosovo). Lá, a droga passa para os homens de Haçim Thaçi que a escoa principalmente para a Europa e acessoriamente para os Estados Unidos. [10] Os lucros são utilizados para financiar as operações ilegais da CIA.</p>
<p>Karzaï e Thaçi são amigos pessoais de longa data de Bernard Kouchner, que certamente ignora suas actividades criminosas apesar dos relatórios internacionais que lhe foram consagrados.</p>
<p>Para completar seu governo, Nicolas Sarkozy nomeia Christine Lagarde, ministra da Economia e das Finanças. Ela fez toda a sua carreira nos Estados Unidos onde dirigiu o prestigioso gabinete de juristas Baker &amp; McKenzie. No seio do Center for International &amp; Strategic Studies de Dick Cheney, ela co-presidiu com Zbigniew Brzezinski um grupo de trabalho que supervisionou as privatizações na Polónia. Ela organizou um lobbying intenso por conta da Lockheed Martin contra o construtor de aviões francês Dassault. [11]</p>
<p>Nova escapada durante o Verão. Nicolas, Cecília, sua preceptora (maitresse) comum e seus filhos fazem-se oferecer férias estado-unidenses em Wolfenboroo, não longe da propriedade do presidente Bush. A factura, desta vez, é paga por Robert F. Agostinelli, um banqueiro de negócios italo-nova-iorquino, sionista e neoconservador que apresenta seus pontos de vista em Commentary, a revista do l&#8217;American Jewish Committee.</p>
<p>O êxito de Nicolas reflecte-se no seu meio-irmão Pierre-Olivier. Sob o nome americanizado de &#8220;Oliver&#8221;, é nomeado por Frank Carlucci (que foi o nº 2 da CIA depois de ter sido recrutado por Frank Wisner Sr.) [12] director de um novo fundo de investimento do Grupo Carlyle (a sociedade comum de gestão de carteiras dos Bush e dos Ben Laden). [13] Tornado o 5º deal maker do mundo, ele gere os haveres principais dos fundos soberanos do Koweit e de Singapura.</p>
<p>A quota de popularidade do presidente está em queda livre nas sondagens. Um dos seus conselheiros em comunicação, Jacques Séguéla, preconiza desviar a atenção do público com novas &#8220;people stories&#8221;. O anúncio do divórcio com Cecilia foi publicado pelo Libération, o jornal do seu amigo Edouard de Rothschild, para encobrir os slogans dos manifestantes num dia de greve geral.</p>
<p>Indo mais além, o comunicador organizou um encontro com a artista e ex-manequim Carla Bruni. Alguns dias mais tarde, sua ligação com o presidente é oficializada e a campanha mediática encobre novamente as críticas políticas. Algumas semanas ainda e é o terceiro casamento de Nicolas. Desta vez, ele escolhe como testemunhas Mathilde Agostinelli (a esposa de Robert) e Nicolas Bazire, antigo director de gabinete de Edouard Balladur que se tornou associado-gerente no Rothschild.</p>
<p>Quando os franceses terão olhos para ver o que têm a fazer?<br />
14/Julho/2008<br />
[1] Quand le stay-behind portait De Gaulle au pouvoir , par Thierry Meyssan, Réseau Voltaire, 27 août 2001<br />
[2] Quand le stay-behind voulait remplacer De Gaulle , par Thierry Meyssan, Réseau Voltaire, 10 septembre 2001<br />
[3] L&#8217;Enigme Pasqua , par Thierry Meyssan, Golias ed, 2000.<br />
[4] Les requins: Un réseau au coeur des affaires Elf, Thomson, TGV, GMF, travaux publics, partis politiques , par Julien Caumer, Flammarion, 1999.<br />
[5] Un relais des États-Unis en France : la French American Foundation , par Pierre Hillard, Réseau Voltaire, 19 avril 2007.<br />
[6] Les New York Intellectuals et l&#8217;invention du néo-conservatisme , par Denis Boneau, Réseau Voltaire, 26 novembre 2004.<br />
[7] Eminences grises , Roger Faligot et Rémi Kauffer, Fayard, 1992 ; &#8220;The Origin of CIA Financing of AFL Programs&#8221; in Covert Action Quaterly, n° 76, 1999.<br />
[8] Dominique Strauss-Kahn, l&#8217;homme de &#8220;Condi&#8221; au FMI , par Thierry Meyssan, Réseau Voltaire, 5 octobre 2007.<br />
[9] Alain Bauer, de la SAIC au GOdF , Note d&#8217;information du Réseau Voltaire, 1er octobre 2000.<br />
[10] Le gouvernement kosovar et le crime organisé , par Jürgen Roth, Horizons et débats, 8 avril 2008.<br />
[11] Avec Christine Lagarde, l&#8217;industrie US entre au gouvernement français , Réseau Voltaire, 22 juin 2005.<br />
[12] L&#8217;honorable Frank Carlucci , par Thierry Meyssan, Réseau Voltaire, 11 février 2004.<br />
[13] Les liens financiers occultes des Bush et des Ben Laden et Le Carlyle Group, une affaire d&#8217;initiés , Réseau Voltaire, 16 octobre 2001 et 9 février 2004.</p>
<p>[*] Analista político, fundador do Réseau Voltaire . Último livro publicado: L&#8217;effroyable imposture : Tome 2 (a remodelação do Oriente Próximo e a guerra israelense contra o Líbano). As informações contidas neste artigo foram apresentadas na mesa redonda de encerramento do Eurasian Media Forum, no Casaquistão (25/Abril/2008).</p>
<p>O original encontra-se em http://www.voltairenet.org/article157210.html</p>
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		<item>
		<title>Entrevista com o repórter americano Dahr Jamail</title>
		<link>http://reeditando.wordpress.com/2008/07/22/entrevista-com-o-reporter-americano-dahr-jamail/</link>
		<comments>http://reeditando.wordpress.com/2008/07/22/entrevista-com-o-reporter-americano-dahr-jamail/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 22 Jul 2008 16:41:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gustavo Murad</dc:creator>
				<category><![CDATA[América do Norte]]></category>
		<category><![CDATA[Oriente Médio]]></category>
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		<description><![CDATA[O jovem repórter americano de origem libanesa Dahr Jamail relata a tragédia do Iraque no livro &#8220;Fora da Zona Verde&#8221;, um quadro pessimista da realidade no país. Veja o vídeo<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=reeditando.wordpress.com&amp;blog=3935576&amp;post=31&amp;subd=reeditando&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O jovem repórter americano de origem libanesa Dahr Jamail relata a tragédia do Iraque no livro &#8220;Fora da Zona Verde&#8221;, um quadro pessimista da realidade no país.</p>
<p><a href="http://video.globo.com/Videos/Player/Noticias/0,,GIM855333-7823-ENTREVISTA+COM+O+REPORTER+AMERICANO+DAHR+JAMAIL,00.html" target="_blank">Veja o vídeo</a></p>
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		<item>
		<title>Uri Avnery: &#8216;Não atacarão o Irã&#8217;</title>
		<link>http://reeditando.wordpress.com/2008/07/15/uri-avnery-nao-atacarao-o-ira/</link>
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		<pubDate>Tue, 15 Jul 2008 13:42:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gustavo Murad</dc:creator>
				<category><![CDATA[América do Norte]]></category>
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		<category><![CDATA[petróleo]]></category>
		<category><![CDATA[Uri Avnery]]></category>
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		<description><![CDATA[Se você quer entender a política de um país, examine o mapa – recomendava Napoleão. Quem queira adivinhar se Israel e/ou os EUA atacarão o Irã, deve examinar o mapa do Estreito de Hormuz entre o Irã e a Península Árabe. Por ali, por um pedaço de mar de apenas 34 km de largura, passam [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=reeditando.wordpress.com&amp;blog=3935576&amp;post=30&amp;subd=reeditando&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Se você quer entender a política de um país, examine o mapa – recomendava Napoleão. Quem queira adivinhar se Israel e/ou os EUA atacarão o Irã, deve examinar o mapa do Estreito de Hormuz entre o Irã e a Península Árabe. Por ali, por um pedaço de mar de apenas 34 km de largura, passam os navios petroleiros que carregam entre 1/5 e 1/3 de todo o petróleo do mundo, inclusive o que sai do Irã, Iraque, Arábia Saudita, Kuwait, Catar e Bahrain.<br />
</em><br />
<strong>Por Uri Avnery</strong></p>
<p>Raros, dos muitos que têm falado sobre o inevitável ataque americano e israelense ao Irã, consideram o que mostra o mapa desta região.</p>
<p>Fala-se sobre um ataque aéreo &#8220;limpo&#8221;, &#8220;cirúrgico&#8221;. Os potentíssimos jatos dos EUA decolarão de porta-aviões que já estão atracados no Golfo Persa e de bases norte-americanas espalhadas por toda a região e bombardearão todas as instalações nucleares do Irã – e nesta ocasião festiva também bombardearão prédios do governo, instalações militares, centros industriais e o que mais lhes dê na telha. Usarão bombas de profundidade, que penetram fundo, também, no chão.</p>
<p>Simples, rápido e elegante — uma revoada e adeus Irã, bye-bye aiatolás, bye-bye Ahmadinejad.</p>
<p>Se Israel atacar sozinho, a operação será mais modesta. O máximo que os agressores israelenses podem esperar é destruir as principais instalações nucleares e conseguir escafeder-se sãos e salvos.</p>
<p>Só tenho um pedido a fazer, pedido modesto: antes de começarem, olhem, por favor, mais uma vez, o mapa, no ponto onde está o Estreito que leva o nome (provavelmente), do deus de Zaratustra.</p>
<p>A primeira reação, inevitável, se o Irã for bombardeado, será o bloqueio do Estreito de Hormuz. Já seria suficientemente evidente, mesmo antes das explícitas declarações de um dos generais iranianos do mais alto escalão, há poucos dias.</p>
<p>O Irã controla o Estreito, em toda a extensão. Eles podem bloqueá-lo completamente, hermeticamente, com mísseis e artilharia de terra e naval.</p>
<p>Se acontecer, o preço do petróleo disparará — para bem além dos 200 dólares/barril, das estimativas mais pessimistas de hoje. Daí em diante, a reação será em cadeia: depressão mundial, colapso de todas as indústrias e explosão catastrófica do desemprego nos EUA, Europa e Japão.</p>
<p>Para evitar este perigo, os EUA terão de ocupar partes do Irã – talvez todo o território de um país muito extenso. Os EUA não têm nem uma pequena parte das forças de ocupação de que necessitarão. Praticamente todas as forças terrestres dos EUA já estão enleadas no Iraque e no Afeganistão.</p>
<p>A poderosa frota naval dos EUA ameaça o Irã — mas, no momento em que o Estreito for fechado, estará reduzida à situação daquelas miniaturas de navios que se compram em garrafas. Exatamente porque há este perigo, os comandantes da Marinha dos EUA retiraram do Golfo Persa, esta semana, o porta-aviões movido a energia nuclear, o &#8220;Abraham Lincoln&#8221;; alegaram que o deslocamento teria a ver com a situação no Paquistão.</p>
<p>Resta a possibilidade de os EUA usarem um &#8220;testa de ferro&#8221;. Israel ataca. Os EUA não são oficialmente envolvidos. E negarão qualquer responsabilidade.</p>
<p>Será? O Irã já anunciou que considerará qualquer ataque por Israel como operação norte-americana. E que responderá como se fosse atacado diretamente pelos EUA. Faz todo o sentido.</p>
<p>Nenhum governo israelense sequer cogitará de iniciar qualquer ataque ao Irã, se não houver acordo explícito e não-secreto com os EUA. Os EUA jamais farão tal acordo.</p>
<p>Então… o que significam tantas manchetes tão dramáticas em toda a mídia internacional?</p>
<p>A Força Aérea de Israel fez exercícios a 1.500 quilômetros do litoral de Israel. Os iranianos responderam com disparos-teste de seus mísseis Shihab, de igual alcance. Antigamente, estes movimentos eram chamados de &#8220;agitar os sabres&#8221;[1]; hoje, se fala de &#8220;guerra psicológica&#8221;. São úteis para políticos fracassados em crise de baixo prestígio interno, para assustar os cidadãos. E dão ótimas imagens de televisão. Mas o mais simples bom-senso ensina que quem planeje um ataque surpresa não sobe ao telhado, aos gritos, para avisar que atacará. Menachem Begin não encenou qualquer manobra aérea antes de mandar os bombardeiros para destruir o reator iraqueano. Nem Ehud Olmert discursou sobre sua intenção de bombardear um misterioso prédio na Síria.</p>
<p>Desde o rei Ciro, o Grande, fundador do Império Persa há 2.500 anos, que permitiu que os israelitas exilados na Babilônia voltassem a Jerusalém e ali construíssem um templo, as relações entre israelenses e persas têm altos e baixos.</p>
<p>Até a revolução de Khomeini, houve firme aliança entre eles. Israel treinou a temida polícia secreta do Xá (&#8220;Savak&#8221;). O Xá era sócio do oleoduto Eilat-Ashkelon, projetado para ultrapassar o Canal de Suez. (O Irã ainda tenta receber o pagamento que lhe é devido pelo petróleo que forneceu.)</p>
<p>O Xá ajudou a infiltrar oficiais do exército de Israel nos territórios curdos do Iraque, onde colaboraram para a revolta comandada por Mustafa Barzani contra Saddam Hussein. Esta operação foi interrompida, quando o Xá traiu os curdos iraqueanos e fez um acordo com Saddam. Mas a cooperação Israel-Irã foi praticamente recomposta, depois que Saddam atacou o Irã. Ao longo desta guerra longa e cruel (1980-1988), Israel apoiou secretamente o Irã dos aiatolás. O affair conhecido como &#8220;Irangate&#8221; é só uma pequena parte desta história.</p>
<p>Nada disto impediu Ariel Sharon de planejar a conquista do Irã, como já denunciei várias vezes. Quando eu trabalhava num artigo mais extenso sobre ele, em 1981, depois de ele haver sido indicado ministro da Defesa, o próprio Sharon contou-me, confidencialmente, sobre esta idéia ameaçadora: depois da morte de Khomeini, Israel pegaria de surpresa a União Soviética, na corrida para o Irã. O exército israelense ocuparia o Irã em poucos dias e entregaria o país aos norte-americanos, muito mais lentos, que já teriam fornecido antes, a Israel, enormes quantidades de armamento sofisticado, expressamente para aquela invasão.</p>
<p>Sharon também me mostrou os mapas que planejava levar para exibir nas reuniões estratégicas anuais, em Washington. Eram impressionantes. Mas, pelo visto, não impressionaram muito os norte-americanos.</p>
<p>Tudo isto sugere fortemente que uma intervenção militar israelense no Irã nada tem de muito revolucionária. Mas, em todos os casos, a condição necessária sempre é uma íntima cooperação com os EUA. Portanto, nada acontecerá, porque os EUA seriam as primeiras vítimas das conseqüências.</p>
<p>O Irã é hoje uma potência regional. Não faz sentido negá-lo.</p>
<p>A ironia do caso é que os iranianos muito têm a agradecer, por serem hoje uma potência regional, ao seu principal agente benemérito: George W. Bush. Fossem gratos, tivessem uma grama de gratidão, teriam de erigir uma estátua de Bush na praça central de Teeran.</p>
<p>Por muitas gerações, o Iraque foi a última fronteira antes do mundo árabe. Foi a muralha do mundo árabe, contra os persas xiitas. Ninguém esqueça que, durante a guerra Iraque-Irã, os árabes iraquianos xiitas combateram com muito entusiasmo contra os persas iranianos xiitas.</p>
<p>Quando o presidente Bush invadiu o Iraque e destruiu o país, ele abriu toda a região ao poder crescente do Irã. Gerações futuras de historiadores ainda se espantarão muito com esta ação, que merece capítulo especial, só dela, numa &#8220;Marcha da Loucura&#8221; que se escreverá um dia.</p>
<p>Hoje já está suficientemente claro que o verdadeiro objetivo dos EUA (como já escrevi aqui, desde os primeiros artigos que escrevo) sempre foi tomar posse da região petrolífera do Mar Cáspio/Golfo Persa e ali, no centro, estabelecer uma base norte-americana permanente. Este objetivo já foi alcançado — os norte-americanos falam hoje em permanecer no Iraque &#8220;por cem anos&#8221;, e já tratam de fazer a partilha das imensas reservas de petróleo do Iraque entre as quatro ou cinco empresas &#8220;gigantes do petróleo&#8221; norte-americanas.</p>
<p>Mas esta guerra começou sem pensamento estratégico amplo; ninguém considerou o mapa geopolítico daquela região. Não se sabe ainda quem é, ali, o principal inimigo dos EUA. Não se sabe, sequer, onde concentrar a luta. A vantagem de dominar o Iraque será rapidamente perdida, se resultar, disto tudo, o nascimento do Irã como potência nuclear, militar e política, potência que lançará sua sombra sobre todos os aliados dos EUA no mundo árabe.</p>
<p>E onde fica Israel, neste jogo?</p>
<p>Por muitos anos, Israel tem sido bombardeada por propaganda que diz que o esforço nuclear dos iranianos seria ameaça à existência de Israel. Esqueçam os palestinos. Esqueçam o Hamas. Esqueçam o Hezbolá. Esqueçam a Síria. O único perigo que ameaça a existência do Estado de Israel é a bomba nuclear iraniana.</p>
<p>Repito o que já disse várias vezes: não morro de medo da bomba iraniana. Claro: a vida é melhor sem bomba nuclear iraniana, e Ahmadinejad não é muito simpático. Mas, na pior das hipóteses, haverá um &#8220;equilíbrio do terror&#8221; entre duas nações, mais ou menos como houve terror equilibrado entre União Soviética e EUA – o equilíbrio que nos salvou de uma III Guerra Mundial. Também há equilíbrio do terror entre Índia e Paquistão — e, por isto, estes dois países que se odeiam visceralmente foram obrigados a reaproximar-se.</p>
<p>Tudo isto posto e considerado, atrevo-me a prever que não haverá ataque militar contra o Irã este ano. Nem os norte-americanos nem os israelenses atacarão o Irã.</p>
<p>Escrevo estas linhas e sinto acender-se uma luzinha vermelha na minha cabeça. É uma lembrança. Na juventude, fui leitor ávido dos artigos semanais de Vladimir Jabotinsky, que sempre me impressionaram pelo estilo claro e pela lógica gelada. Em agosto de 1939, Jabotinsky escreveu um artigo, no qual afirmava categoricamente que não haveria guerra, apesar dos muitos rumores que diziam o contrário. Raciocinava claramente: as armas modernas são tão terríveis, que nenhum país atrever-se-á a iniciar uma guerra.</p>
<p>Dias depois, a Alemanha invadiu a Polônia. E começou a mais terrível guerra que a humanidade conheceu (até hoje), que só terminou quando os EUA lançaram bombas atômicas sobre Hiroshima e Nagasaki. Desde então — são 63 anos — ninguém mais usou armamento atômico.</p>
<p>O presidente Bush chega ao fim da carreira, em desgraça. O mesmo destino espera, impaciente, por Ehud Olmert. Para políticos deste tipo, é fácil tentar uma última aventura. Tentar cavar um lugar na história, a qualquer custo. Podem ser decentes, é claro. E podem não ser.</p>
<p>Seja como for, mantenho o meu prognóstico: não invadirão o Irã.</p>
<p>[1] Saber rattling, em inglês; ruido de sables, em espanhol. Refere-se a um incidente da história do Chile, em 3/9/1924, quando um grupo de jovens oficiais do Exército protestaram contra a inação dos deputados, agitando os sabres nas bainhas (em http://en.wikipedia.org/wiki/Saber-rattling) NT.</p>
<p>* URI AVNERY, &#8220;Why not?&#8221;, 12/7/2008, na página do Gush Shalom [Grupo da Paz], na internet em http://zope.gush-shalom.org/home/en/channels/avnery/1215904313/</p>
<p>Tradução de Caia Fittipaldi. Reprodução por internet autorizada pelo autor e pela tradutora. Copyleft.</p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/reeditando.wordpress.com/30/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/reeditando.wordpress.com/30/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/reeditando.wordpress.com/30/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/reeditando.wordpress.com/30/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/reeditando.wordpress.com/30/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/reeditando.wordpress.com/30/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/reeditando.wordpress.com/30/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/reeditando.wordpress.com/30/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/reeditando.wordpress.com/30/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/reeditando.wordpress.com/30/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/reeditando.wordpress.com/30/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/reeditando.wordpress.com/30/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/reeditando.wordpress.com/30/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/reeditando.wordpress.com/30/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/reeditando.wordpress.com/30/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/reeditando.wordpress.com/30/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=reeditando.wordpress.com&amp;blog=3935576&amp;post=30&amp;subd=reeditando&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Iraque: líder da resistência fala de desafio contra ocupação</title>
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		<pubDate>Tue, 15 Jul 2008 13:35:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gustavo Murad</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Nicola Nasser, um veterano jornalista palestino que vive na Cisjordânia ocupada por Israel, fez uma longa reportagem sobre Izzat Ibrahim Addouri, dirigente da resistência iraquiana, e ex-vice-presidente do Iraque. Nasser apresenta uma entrevista dada pelo dirigente como uma resposta à pergunta que mídia globalizada do império não dá resposta: como é possível a resistência ao [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=reeditando.wordpress.com&amp;blog=3935576&amp;post=29&amp;subd=reeditando&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Nicola Nasser, um veterano jornalista palestino que vive na Cisjordânia ocupada por Israel, fez uma longa reportagem sobre Izzat Ibrahim Addouri, dirigente da resistência iraquiana, e ex-vice-presidente do Iraque. Nasser apresenta uma entrevista dada pelo dirigente como uma resposta à pergunta que mídia globalizada do império não dá resposta: como é possível a resistência ao exército invasor?<br />
</em><br />
Por Nicola Nasser, reproduzido pelo Diário.info</p>
<p>Pela primeira vez desde a invasão estadunidense do Iraque de março de 2003, apareceu em cena Izzat Ibrahim Addouri, o vice-presidente do falecido presidente do Iraque Saddam Hussein, apesar da recompensa de dez milhões de dólares fixada pela sua cabeça pelos americanos.</p>
<p>Numa extensa entrevista dada em 26 de maio passado a Abdel-Azim Manaf, editor chefe do periódico egípcio Al-Mawqif Al-Arabi, que não faz parte dos meios de comunicação dominantes, Izzat Ibrahim Addouri traça a estratégia e táticas da resistência iraquiana dirigida pelo anterior partido governante, al-Baath.</p>
<p>A reaparição de Addouri e a estratégia da resistência que traça representam um desafio direto à potência ocupante.</p>
<p>Manaf disse à The Associated Press (AP) que tinha entrevistado Addouri &#8220;no campo de batalha&#8221;. A &#8220;conversa&#8221; deu-se &#8220;com um comandante que se encontrava no seu território e entre os seus soldados&#8221;, em &#8220;zona de guerra&#8221; e no &#8220;campo de batalha enquanto falavam as armas&#8221;, dizia Manaf na sua introdução. Addouri falou no seu posto de &#8220;Comandante Supremo da Frente de Libertação e para a Jihad, como Secretário-Geral Pan-Arabista do Partido Socialista Árabe Al-Baath e Secretário da Região do Iraque&#8221;, acrescentou o editor egípcio.</p>
<p>A AP declarou que &#8220;se acredita que Addouri desempenha um papel importante nas tarefas de financiamento&#8221; da resistência, &#8220;ainda que pouco se saiba sobre a forma como lidera os combatentes diretamente no terreno&#8221;. No entanto, a potência ocupante, os Estados Unidos, assim como o Irã e o regime de Washington aliado dos iranianos chegados a Bagdá após a ocupação, tiveram muito interesse em minimizar o papel desempenhado por Addouri e pelo seu partido na resistência nacional, e em seu lugar destacaram o papel marginal desenvolvido pela al-Qaida, que entrou no Iraque pela primeira vez graças aos EUA e a outros islamistas.</p>
<p>Se a história pudesse iluminar os fatos actuais, a &#8220;censura&#8221; nas referências a Addouri na política dos meios de comunicação encontraria ecos no plano de golpe anglo-americano que derrubou o governo do dirigente iraniano Mohamed Mossadeq em agosto de 1953 e que serviu para instalar o Xá no poder.</p>
<p>&#8220;Um aspecto essencial daquela trama foi querer fazer passar como simpatizantes do Partido Comunista Iraniano Tudeh a multidão que se manifestava contra Mossadeq (multidão que era na verdade um grupo mercenário, sem ideologia e pago com dólares americanos&#8221;). Como em todas e cada uma das intervenções militares estadunidenses e britânicas até ao colapso da URSS, agitava-se o espantalho da &#8220;ameaça comunista&#8221; como História Oficial…. A ameaça real do nacionalismo (e outros sujos objetivos para proteger os lucros obtidos a partir do petróleo) minimizava-se ou eliminava-se da imagem que se apresentava em público&#8221;. [Mark Curtis, "Web of Deceit", Vintage, 2003]. No Iraque, a maquinaria da propaganda estadunidense limitou-se a substituir a &#8220;ameaça comunista&#8221; pela da al-Qaida.</p>
<p>Manaf assinala na sua introdução que Addouri é um homem muito religioso, muito versado em teologia islâmica e em história árabe, muito próximo do sufismo. A sua cultura árabe e islâmica reflete-se amplamente nas suas respostas, cheias de citações do Corão e de frases de dirigentes históricos árabes e muçulmanos, situação que em alguns momentos converteu em missão impossível a tradução da sua entrevista para inglês.</p>
<p>Addouri identificou o al-Baath como uma &#8220;organização revolucionária, uma liderança forte e inovadora, uma organização revolucionária armada jihadista, que representa um exército intrépido e gloriosas forças armadas&#8221;.</p>
<p>Negando as informações dos meios de comunicação sobre a sua má saúde (nasceu em 1 de julho de 1942), Addouri confirmou que: &#8220;Gozo de boa saúde e de um elevado espírito jihadista&#8221;, acrescentando que: &#8220;Creio hoje que estou caminhando para Deus e o Seu Profeta&#8221;, e que &#8220;deixei para trás o mundo, a sua sorte e a mim próprio&#8221; para estar totalmente dedicado e &#8220;entregue a Deus e ao seu amor&#8221; até &#8220;à vitória ou ao martírio&#8221;.</p>
<p><strong>Três capítulos da resistência</strong></p>
<p>&#8220;A nossa resistência e luta face ao ocupante estadunidense não são nada de novo&#8221;, disse Addouri. &#8220;Começou nos primeiros anos da formação do al-Baath para se ampliar e aprofundar após a gloriosa revolução de Tammuz (julho) de 1968. Antes de 2003, o inimigo imperialista utilizou forças locais do Iraque, e em alguns casos da nação (árabe); outras vezes utilizou poderes regionais para nos combater em seu nome. Quando os seus instrumentos locais e regionais fracassaram na hora de impedir o renascimento pan-árabe do Iraque, o inimigo estadunidense entrou diretamente no campo da luta e do combate, acumulou grandes poderes e levou a cabo por si mesmo a invasão e a ocupação&#8221;.</p>
<p>Identificou três etapas na resistência iraquiana à invasão e ocupação encabeçadas pelos EUA: &#8220;O primeiro capítulo foi o confronto oficial, quando as formações regulares das valentes forças armadas se levantaram frente à invasão; depois veio o lançamento da confrontação popular contra a invasão, que se entrelaçou com o anterior capítulo. A integração popular, a oficial e a militar deram-se imediatamente e a guerra popular de libertação começou durante a primeira semana da invasão, planificada pelos dirigentes e de acordo com a sua estratégia&#8221;.</p>
<p>Durante este segundo capítulo de formação da resistência a partir das organizações civis do partido, o fedayin Saddam e os voluntários tomaram parte no desenvolvimento das nossas &#8220;operações de martírio&#8221;. As &#8220;gloriosas mulheres iraquianas participaram nas primeiras formações da resistência popular&#8221;. Algumas dessas mulheres realizaram &#8220;operações de martírio, a primeira das quais foi a heróica operação levada a cabo por duas mulheres em Bagdá ao terceiro dia da ocupação; outra operação foi levada a cabo por uma gloriosa mulher iraquiana em al-Nasiriya, no sul do Iraque&#8221;.</p>
<p>O &#8220;terceiro capítulo é a manutenção da resistência e a prossecução do combate até à libertação do Iraque&#8221;.</p>
<p>Addouri disse que durante a ocupação caíram mais de 1,3 milhão de iraquianos e que &#8220;o número de mártires do al-Baath nessas batalhas foi superior a 120 mil&#8221;.</p>
<p>Considera &#8220;esse histórico e decisivo confronto&#8221;, que descreve como &#8220;a batalha santa&#8221;, como o &#8220;destino e a responsabilidade do al-Baath, tanto como a responsabilidade do grande povo iraquiano e as suas capacidades islâmicas, pan-árabes e jihadistas nacionais, e do povo livre da nossa nação e humanidade (árabe) em conjunto, pois todos se tornaram &#8220;objetivos da invasão&#8221;.</p>
<p>Addouri parecia confiar totalmente na vitória e reiterou que já foi derrotada a ocupação dirigida pelos estadunidenses, que buscam agora desesperadamente uma saída&#8221;. A &#8220;resistência destruiu a aliança do mal, cujos membros estão fugindo um após outro. Só Bush continua obstinado na sua derrota&#8221;, disse.</p>
<p>Em resposta às perguntas sobre o que havia de verdade nas informações dos meios de comunicação alegando ter havido &#8220;contatos entre a resistência e os estadunidenses&#8221;, se tinha havido algum &#8220;contato directo ou indireto com autoridades oficiais estadunidenses&#8221;, se &#8220;estava desejoso de negociar com os estadunidenses&#8221; e no caso de a resposta ser positiva &#8220;quais eram os termos da negociação?&#8221;, &#8220;se conduziria pessoalmente as negociações&#8221; ou autorizaria outros a negociar, se essas negociações seriam bilaterais (entre o al-Baath e os EUA) ou em nome da &#8220;frente&#8221; da resistência, e se estava seguro de que o resultado das negociações corresponderia ao peso real da resistência no terreno, &#8220;como diz o refrão, não podes chegar à mesa de negociações mais depressa do que chega a tua artilharia&#8221;, Addouri disse:</p>
<p>&#8220;Amigos e inimigos&#8221; conhecem muito bem a nossa estratégia, que os meios de comunicação já publicaram; &#8220;o al-Baath não negocia absolutamente com ninguém que não reconheça de antemão esta estratégia, e não negociará com os Estados Unidos nem com intermediários ou amigos, a não ser nessa base. Se o inimigo reconhece esta estratégia, nos sentaremos com ele diretamente, negociaremos com ele e o ajudaremos a sair do nosso país sem perder a face e facilitando a sua saída. Se não houver esse reconhecimento, não haverá negociações com o inimigo ocupante&#8221;.</p>
<p>&#8220;O al-Baath reunir-se-á com todos os que queiram fazê-lo, exceto com a entidade sionista (Israel) e com governo de colaboracionistas da Zona Verde. Nos sentiremos felizes quando o inimigo se convencer da sua derrota, aceitar a nossa estratégia e se sentar conosco a negociar um programa a ser posto em marcha&#8221;, acrescentou.</p>
<p>Addouri explicou a sua estratégia, indicando que &#8220;qualquer negociação com os invasores sem essa estratégia representa uma deserção e uma traição, e isso é algo que todas as facções islâmicas, pan-árabes e nacionais de a resistência repudiam&#8221;:</p>
<p>• Reconhecimento oficial efetivo da resistência nacional, tanto armada como desarmada, incluindo todas as suas facções e partidos políticos, como a única e legítima representante do povo do Iraque.</p>
<p>• Declaração oficial de retirada incondicional do Iraque por parte dos dirigentes estadunidenses.</p>
<p>• Declarar nulas e sem efeito todas as instituições legislativas e políticas, assim como todas as leis por elas emitidas desde o momento da ocupação, começando pela lei de &#8220;desbaazificação&#8221;, compensando todos os que tenham sido prejudicados por todas essas leis.</p>
<p>• Pôr fim aos assaltos, perseguições, prisões, assassinatos e deportações.</p>
<p>• Libertação de todos os prisioneiros de guerra, prisioneiros e detidos sem excepção, compensando-os por todos os danos físicos e psicológicos.</p>
<p>• Reconstruir o exército e as forças nacionais de segurança, de acordo com as leis e regulamentos anteriores à ocupação, e compensando todos os que foram negativamente afetados pela sua dissolução.</p>
<p>• Compromisso de compensar o Iraque por todas as perdas morais e materiais provocadas pela ocupação.</p>
<p><strong>Táticas da guerrilha iraquiana</strong></p>
<p>Addouri expôs os seus pontos de vista sobre &#8220;a guerra de libertação popular e a guerrilha&#8221;, aconselhando os combatentes da resistência a &#8220;aderirem aos princípios e normas&#8221; deste tipo de guerra e enumerou as quinze tácticas &#8220;mais eficazes&#8221; para prejudicar o inimigo:</p>
<p>Primeira, &#8220;aparecer rapidamente de trás, de frente e aos lados do inimigo, conforme o permitir a natureza do lugar, momento e clima da operação, e o tipo e natureza do objetivo; depois atacar velozmente e desaparecer rapidamente antes que o inimigo possa ter tempo de reagir&#8221;.</p>
<p>Segunda, &#8220;planificação, realização e seleção do objetivo, pôr muito empenho em causar danos ao inimigo&#8221;, acrescentou.</p>
<p>Terceira, &#8220;a tua arma é a tua vida; por isso tem cuidado para te manteres sempre alerta e longe dos olhos do inimigo e dos seus espiões&#8221;.</p>
<p>Quarta, &#8220;proteger a segurança da informação como uma linha vermelha ou uma questão sagrada&#8221; e não confiar em ninguém &#8220;porque a confiança não tem limites em sociedade&#8221;.</p>
<p>Quinta, &#8220;sem espiões, o inimigo é como um cego; por isso faz tudo o que possas para os descobrir e eliminar&#8221;.</p>
<p>Sexta, &#8220;não te deixes levar por sucessivas vitórias&#8221; nem te sintas tentado a &#8221; fazer alarde delas&#8221; ou perderás o teu auto-controle perante os elogios dos teus atos heróicos, não te convertas num fanfarrão do teu êxito, &#8220;sê consciente de que o inimigo procura sempre apanhar-te. Por isso sê discreto, passa despercebido e sê vigilante&#8221;.</p>
<p>Sétima, &#8220;inflige as maiores perdas nas fileiras do teu inimigo e procura diminuir ao máximo as perdas nas tuas&#8221;.</p>
<p>Oitava, &#8220;torna difícil a vida do inimigo durante as suas horas de descanso, não permitas que encontre segurança em nenhum lugar e não lhe dês tempo para que recupere&#8221;.</p>
<p>Nona, &#8220;as linhas de abastecimento são o salva-vidas do inimigo&#8221;. Por isso, &#8220;concentra-te e corta&#8221; essas linhas.</p>
<p>Décima, &#8220;concentra-te nas bases, campos e quartéis do inimigo dia e noite&#8221; para &#8220;quebrar a sua moral&#8221;.</p>
<p>Décima primeira, &#8220;gasta o tempo necessário para tratar com todo o cuidado os traidores e espiões para evitar atingir os inocentes&#8221;.</p>
<p>Décima segunda, &#8220;alarga o círculo de controle, perseguição e caça do inimigo… para que não te surpreenda&#8221;.</p>
<p>Décima terceira, &#8220;mantém os teus laços tradicionais com os teus familiares, vizinhos, conterrâneos e amigos, e aprofunda e estreita esses laços, mas não lhes faças sentir que tens uma missão que eles não compreendem&#8221; e &#8220;ajuda-os a superar as dificuldades e a dureza da vida diária, que são tantas hoje em dia&#8221; para que te protejam quando estiveres em perigo e não te entreguem ao inimigo; eles são &#8221; a tua armadura segura e o teu honesto amparo&#8221;.</p>
<p>Décima quarta, &#8220;crê em Deus… que seja o nosso ponto forte de partida&#8221;.</p>
<p>Décima quinta, &#8220;luta por amor de Deus contra os inimigos de Deus… até que o tirano, até que os invasores sejam derrotados, até à vitória inequívoca, até à libertação da pátria, e levanta a bandeira de &#8220;Não há outro Deus além de Deus&#8221; e recupera a bandeira de &#8220;Deus é o Maior&#8221;, para que se levante por sobre os céus do Iraque&#8221; afirmou Addouri.</p>
<p><strong>Outros trechos da entrevista</strong></p>
<p>Manaf: Disse que a resistência iraquiana se constituiu imediatamente após a profanação da terra do Iraque pelas forças estadunidenses. Como pode a resistência nascer e crescer com tanta rapidez?</p>
<p>Addouri: &#8220;O Partido Socialista Árabe al-Baath é o partido do Iraque e da nação árabe… Não deporá as armas nem deixará de lutar nem uma hora, dia e noite e a marcha dos seus jihadistas não se deterá nunca… Não se deixou surpreender pelos acontecimentos, como aumentou… a sua determinação de continuar a combater implacavelmente contra os invasores, os seus cúmplices e espiões, sem ter em conta os sacrifícios nem o tempo que custe conseguir a vitória completa e a libertação do Iraque&#8221;.</p>
<p><strong>Papel do Exército</strong></p>
<p>Manaf: Que papel desempenham na resistência os oficiais e soldados das forças armadas iraquianas?</p>
<p>Addouri: Atualmente desempenham &#8220;um papel heróico e decisivo na marcha da resistência. Além do seu papel de luta jihadista através das suas próprias formações… sob as diretivas do Comando-Geral das Forças Armadas; estão distribuídos de acordo com a liderança do partido al-Baath e do Comando-Geral das Forças Armadas, noutras facções jihadistas onde atuam como comandantes de campo, planificadores, técnicos, construtores e promotores da maioria das diversas armas da resistência. Representam a alma da resistência e o segredo das suas inovações, realizações e vitórias&#8221;.</p>
<p><strong>Novos métodos &#8220;sem precedentes&#8221;</strong></p>
<p>Manaf: Que distingue a resistência iraquiana? Como pode combater o ocupante em campo aberto?</p>
<p>Addouri: &#8220;A resistência depende das normas e princípios das guerras populares e da guerra de guerrilhas, embora no desenvolvimento dos seus métodos e tácticas de combate tenha sido inovadora na sua logística e operações especiais. E mais importante, adaptou-se ao meio iraquiano para actuar em função da guerra popular. Por meio da prática, desenvolveu muito essas normas para &#8220;se mover com rapidez&#8221; a fim de conseguir que &#8220;toda a terra seja nossa e todo o tempo seja nosso&#8221; e ser capazes de converter em antiquado o que é novo para o inimigo, de forma a &#8220;enfrentá-lo com as nossas próprias inovações&#8221;.</p>
<p>&#8220;Elaboramos e inovamos novas vias e métodos que não têm precedentes nas guerras populares de libertação, ou inclusive nas ciências da espionagem… Não posso entrar em mais detalhes por razões de segurança; isso é o que mantém a resistência e os seus dirigentes, é um segredo misterioso para humilhar o inimigo, os seus colaboradores e espiões&#8221;.</p>
<p><strong>Al-Baath vive e continua recrutando partidários</strong></p>
<p>Manaf: Neste momento, estão distribuídas por igual as formações da sua resistência para cobrir toda a área do Iraque ou concentram-se em certas zonas e departamentos?</p>
<p>Addouri: &#8220;O partido (al-Baath) tem mais de meio século de existência no Iraque. A actual organização do al-Baath é mais forte em muitos casos do que era antes da ocupação — não vou dar mais pormenores por razões óbvias — O al-Baath se manifestará a seu devido tempo&#8221;. Na atualidade, o partido está presente em todas as cidades, povoados, planícies, montanhas e desertos do Iraque; no exterior do Iraque também está presente entre os iraquianos onde quer que estejam, em todos os países árabes ou em países estrangeiros&#8221;.</p>
<p>Depois da ocupação, apesar das &#8220;duras condições&#8221; para se incorporar no partido e da campanha de desbaazificação, &#8220;milhares uniram-se ao partido, a maioria gente jovem de entre 16 e 25 anos. Dezenas de milhar de outros iraquianos uniram-se às facções da resistência dirigidas pelo al-Baath&#8221;.</p>
<p>&#8220;Finalmente, surgiu a Frente Islâmica, Pan-Árabe e Nacional; al-Baath é um dos seus pilares básicos&#8221;.</p>
<p><strong>Sem apoio exterior</strong></p>
<p>Manaf: A resistência iraquiana é única no fato de que não tem apoios ou financiamento internacionais, regionais ou árabes; como pode o al-Baath manter a força e escalada da resistência?</p>
<p>Addouri: &#8220;A nossa resistência não só não tem financiamento fora das fronteiras do país, o que é pior e mais amargo é que 99% dos poderes com influência do mundo estão ou diretamente implicados com o inimigo contra ela ou simpatizam com o inimigo; o um por cento que simpatiza com a resistência, virou-lhe as costas por medo aos seus inimigos, mas Deus providenciou e fez com que não precisemos deles. O povo do Iraque trouxe-lhe o seu dinheiro e os seus filhos: é uma fonte inesgotável&#8221;.</p>
<p>Manaf: Há quem diga que o papel do al-Baath na resistência é limitado. Qual é a dimensão da resistência dirigida pelo al-Baath?</p>
<p>Addouri: &#8220;O ocupante inimigo e os seus sócios regionais e locais lançaram um genocídio contra os baazistas, as suas famílias, seguidores e simpatizantes. A Constituição dos colaboracionistas, que foi preparada pela CIA, inclui um artigo racista nazi que estipula a liquidação do al-Baath como organização, pensamento e pessoas&#8221;.</p>
<p>&#8220;Estabeleceram como objetivo a liquidação física, destruição e erradicação do partido da sociedade até ao último dos seus membros&#8221;.</p>
<p>&#8220;Um dos mais importantes e perigosos métodos de desbaazificação, depois do assassinato e liquidação física dos baazistas, é a intenção de censurar totalmente o papel do al-Baath no campo de batalha como partido resistente e resistência armada, desprestigiando a sua imagem e papel&#8221;.</p>
<p>&#8220;Se o al-Baath não tivesse estado na origem da resistência desde o primeiro dia da invasão e ocupação, e não tivesse atuado como se a batalha fosse a sua própria batalha e a causa a sua própria causa, o mundo não poderia ter visto o aparecimento da mais forte das resistências nacionais imediatamente após a invasão&#8221;.</p>
<p>&#8220;O resto das facções da Jihad apareceram quando a resistência estava profundamente envolvida no confronto com o ocupante e minando a sua estratégia; algumas dessas facções formaram-se e começaram a atuar três anos depois da ocupação.</p>
<p><strong>Operacões documentadas com CD</strong></p>
<p>&#8220;A coluna vertebral&#8221; da &#8220;ampla e forte base da jihad é hoje a resistência do al-Baath e a das forças islâmicas, pan-árabes e nacionais, com os membros do Alto Comando da Jihad e da Libertação na vanguarda, que abarca todo o Iraque&#8221;, desde Um Qasser pelo sul até Zajo pelo norte, e desde al Qaim pelo oeste a Janqin e Mandali pelo leste.</p>
<p>Esta resistência é objeto de um assédio político, econômico e midiático, a fim de censurar e suprimir as suas operações militares, atividades políticas e a sua destrutiva influência física e psicológica sobre os soldados da potência ocupante e das suas forças no Iraque.</p>
<p>Manaf: &#8220;Não vê como os invasores, colaboracionistas, traidores, espiões e renegados, apesar das suas divergências em muitas outras coisas, estão de acordo em censurar o seu papel e ações e em vez disso expandir a idéia de que a resistência é terrorismo?&#8221;</p>
<p>Addouri: &#8220;Documentei em CDs milhares de operações dos últimos cinco anos contra o inimigo, apesar de o inimigo enaltecer o papel de outros grupos, alguns dos quais, diretamente ou por meio de intermediários, foram formados pelo próprio ocupante, e algumas outras foram formadas por poderes estrangeiros hostis ao Iraque… que matam as pessoas com base nos dados do seu documento de identidade (Addouri referia-se explicitamente às milícias sectárias formadas pelo Irã, mas não mencionou o nome deste país).</p>
<p><strong>Futuro sistema pluralista</strong></p>
<p>Manaf: Como entende o processo político em curso no Iraque? Que comentário pode fazer acerca das conferências de reconciliação de que se falou sob os auspícios da Liga de Estados Árabes?</p>
<p>Addouri: &#8220;Não há trégua com esses e resistiremos qualquer que seja a entidade que se estabeleça sob a ocupação e ao seu serviço, e entre elas, e em primeiro lugar, o governo de traidores da Zona Verde&#8221;.</p>
<p>Manaf: Pensou em alguma estratégia para administrar o governo do Iraque depois da libertação?</p>
<p>Addouri: Desde o primeiro dia da ocupação, o al-Baath fez um apelo à &#8220;unidade da resistência como uma necessidade histórica&#8221;. Com esforço e persistência, o partido conseguiu formar a &#8220;Frente Islâmica, Pan-Árabe e Nacional em 2005&#8243;, e de seguida a &#8220;Jihad e a Frente de Libertação, para integrar as facções armadas em campo (33 facções armadas da resistência, segundo disse). Ambas as frentes estão abertas a todas as forças políticas e armadas contra a ocupação&#8221; a fim de conseguir uma maior unidade durante a libertação e depois dela.</p>
<p>O al-Baath não adotou nunca uma postura de partido único; &#8220;não crê nela e rejeita a teoria do partido único&#8221;. No entanto, no passado, e por &#8220;circunstâncias objetivas&#8221;, defendeu &#8220;a teoria do partido dirigente&#8221;.</p>
<p>&#8220;O al-Baath crê profunda e principalmente na criação de um sistema democrático nacional pluralista no qual o poder mude democraticamente a partir das urnas e de eleições justas, livres e transparentes&#8221;.</p>
<p>Qualquer desvio deste aspecto ocorrido no passado &#8220;inclui-se no contexto dos erros&#8221; da história do al-Baath.</p>
<p><strong>Compromisso com a autonomia curda</strong></p>
<p>Manaf: Que programa apresenta para abordar a questão curda após a libertação?</p>
<p>Addouri: &#8220;Cremos firmemente que o nosso povo curdo não conseguirá os seus direitos nacionais e culturais, senão no seio da unidade de um Iraque livre, libertado, independente e próspero… O al-Baath continuará comprometido com a declaração histórica de março de 1970 e com a Lei de Autonomia de 1974 como base para abordar os direitos políticos, culturais e nacionais do nosso povo curdo do Iraque&#8221;.</p>
<p>Manaf: Foi há pouco fundado publicamente o &#8220;Partido pela Justiça e a Liberdade do Curdistão&#8221;, que está contra a ocupação. Que papel espera que desempenhe este partido no Curdistão?</p>
<p>Addouri: Foram fundados dois partidos curdos em nome do partido pela liberdade e justiça do Curdistão, um presidido por Yohar al-Hirki, filho de uma importante família curda iraquiana que é leal ao povo do Iraque, e outro que é presidido pelo &#8220;irmão combatente&#8221; Arshad Zibari. Ambos fizeram grandes sacrifícios a partir das suas famílias e tribos contra a ocupação e em defesa da liberdade e independência do Iraque.</p>
<p>&#8220;O nascimento de ambos os partidos contribuirá para fortalecer e ampliar o movimento nacional curdo contra a ocupação e os que a apoiam&#8221;.<br />
Nicola Nasser é um jornalista árabe veterano que vive em Bir Zeit, Cisjordânia, nos territórios palestinianos ocupados por Israel.</p>
<p>Este texto foi originalmente publicado <a href="http://www.globalresearch.ca/index.php?context=va&amp;aid=9192" target="_blank">aqui</a></p>
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		<title>Do triunfo à tortura</title>
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		<pubDate>Fri, 04 Jul 2008 15:16:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gustavo Murad</dc:creator>
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		<description><![CDATA[O tratamento dado por Israel a um jovem jornalista palestino, ganhador de um prémio, faz parte de um terrível padrão de actuação por John Pilger Duas semanas atrás concedi a um jovem palestino, Mohammed Omer, o Prémio Martha Gellhorn de Jornalismo 2008. Criado em memória da grande correspondente de guerra estado-unidense, o preço destina-se a [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=reeditando.wordpress.com&amp;blog=3935576&amp;post=28&amp;subd=reeditando&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>O tratamento dado por Israel a um jovem jornalista palestino, ganhador de um prémio, faz parte de um terrível padrão de actuação</strong></p>
<p><strong>por John Pilger</strong></p>
<p>Duas semanas atrás concedi a um jovem palestino, Mohammed Omer, o Prémio Martha Gellhorn de Jornalismo 2008. Criado em memória da grande correspondente de guerra estado-unidense, o preço destina-se a jornalistas que revelam a propaganda do establishment, ou &#8220;idiotices oficiais&#8221;, como as chamava Gellhorn. Mohammed partilha o prémo de £5.000 [€6.342] com Dahr Jamail. Com 24 anos, ele é o mais jovem vencedor. A sua condecoração pública diz: &#8220;Todos os dias ele relata de uma zona de guerra, onde também é um prisioneiro. Seu lar, Gaza, está cercado, privado de alimento, atacado, esquecido. Ele é uma testemunha profundamente humana de uma das maiores injustiças do nosso tempo. Ele é a voz dos que não têm voz&#8221;. Sendo o mais velho de oito filhos, Mohammed viu a maior parte dos seus irmãos mortos ou feridos ou mutilados. Um bulldozer israelense esmagou a sua casa com a família lá dentro, ferindo seriamente a sua mãe. E ainda assim, diz um antigo embaixador holandês, Jan Wijenberg, &#8220;ele é uma voz moderada, instando a juventude palestina a não cultivar o ódio e a procurar a paz com Israel&#8221;.</p>
<p>Levar Mohammed para Londres a fim de receber o seu prémio foi uma grande operação diplomática. Israel tem um controle pérfido sobre as fronteiras de Gaza, e só com uma escolta da embaixada holandesa é que ele pôde passar. Na quinta-feira passada, ao voltar da sua jornada, ele devia encontrar-se na passagem (para a Jordânia) de Alleby Bridge com um responsável holandês, o qual esperava-o do lado de fora do edifício israelense. Sem que percebesse Mohammed fora capturado pela Shin Bet, a infame organização israelense de segurança. Disseram a Mohammed para desligar seu telemóvel e remover a bateria. Ele perguntou se podia telefonar à escolta da embaixada e foi-lhe dito brutalmente que não. Um homem examinou a sua bagagem, escarafunchando seus documentos.</p>
<p>&#8220;Onde está o dinheiro?&#8221;, perguntou ele. Mohammed entregou-lhe alguns dólares americanos. &#8220;Onde estão as libras inglesas que você tem?&#8221;</p>
<p>&#8220;Percebi&#8221;, disse Mohammed, &#8220;que estava à procura do dinheiro do prémio Martha Gellhorn. Disse-lhe que não estava comigo. &#8216;Você está mentindo&#8217;, disse ele. Fui então cercado por oito oficiais do Shin Bet, todos armados. O homem chamado Avi ordenou-me que tirasse as calças. Eu já passara por uma máquina de raios X. Fiquei reduzido às minhas cuecas e disseram-me para tirar tudo. Quando recusei, Avi pôs a mão sobre a sua arma. Comecei a gritar: &#8216;Por que está a tratar-me deste modo? Sou um ser humano&#8217;. Ele respondeu: &#8216;Isto não é nada em comparação com o que você verá agora&#8217;. Ele sacou a arma, pressionando-a contra a minha cabeça e com todo o peso do seu corpo sobre o meu lado removeu à força as minhas cuecas. Ele fez-me então efectuar uma remexida espécie de dança. Outro homem, que estava a rir, disse: &#8216;Por que você trouxe perfume?&#8217; Respondi: &#8216;São prendas para pessoas que amo&#8217;. E ele disse: &#8216;Ah, então você tem amor na sua cultura?&#8217;</p>
<p>&#8220;Quando me ridicularizavam, eles deliciavam-se a zombar das cartas que havia recebido de leitores na Inglaterra. Estive sem água e comida e casa de banho durante 12 horas, e tendo sido mantido de pé as minhas pernas prendiam-se. Vomitei e desmaiei. Tudo o que me lembro é de um deles a enfiar, raspar e arranhar com as suas unhas a carne delicada por trás dos meus olhos. Ele escavou minha cabeça e enfiou seus dedos próximo dos nervos da audição entre a minha cabeça e o tímpano. O sofrimento tornou-se mais agudo quando ele enfiou dois dedos ao mesmo tempo. Outro homem tinha a sua bota de combate sobre o meu pescoço, pressionando-o no chão duro. Fiquei ali por mais de um hora. A sala tornou-se uma jaula de sofrimento, ruído e terror.</p>
<p>Foi chamada uma ambulância e disseram-lhe para levar Mohammed para um hospital, mas só depois de assinarem uma declaração de indemnização aos israelenses pelo seu sofrimento durante a sua custódia. O médico palestino recusou, corajosamente, e disse que contactaria a escolta da embaixada holandesa. Alarmados, os israelenses deixaram que a ambulância seguisse. A resposta israelense foi na linha habitual de que Mohamed era &#8220;suspeito&#8221; de contrabando e &#8220;perdeu o equilíbrio&#8221; durante um interrogatório &#8220;regular&#8221;, relatou ontem a Reuters.</p>
<p>Grupos israelenses de direitos humanos documentaram a rotina da tortura de palestinos por agentes do Shin Bet com &#8220;pancadas, amarrações penosas, inclinações para trás, estiramento corporal e prolongada privação do sono&#8221;. A Amnistia desde há muito relata a utilização generalizada de tortura por Israel, cujas vítimas emergem como meras sombras do que eram antes. Alguns nunca retornam. Israel está num lugar elevado na tabela internacional pelos seus assassinatos de jornalistas, especialmente jornalistas palestinos, que mal recebem uma fracção da espécie de cobertura que foi dada a Alan Johnston da BBC.</p>
<p>O governo holandês diz que está chocado pelo tratamento de Mohammed Omer. O ex-embaixador Jan Wijenberb afirma: &#8220;Isto não é de modo algum um incidente isolado, mas parte de uma estratégia a longo prazo para demolir a vida social, económica e cultural palestina &#8230; Tenho consciência da possibilidade de Mohammed Omer ser assassinado por atiradores israelenses ou por ataques a bomba no futuro próximo&#8221;.</p>
<p>No momento em que Mohammed recebia o seu prémio em Londres, o novo embaixador israelense na Grã-Bretanha, Ron Proser, queixava-se publicamente de que muitos britânicos já não apreciam a singularidade (uniqueness) da democracia de Israel. Talvez a apreciem agora.</p>
<p>O original encontra-se em The Guardian:<br />
<a href="http://www.guardian.co.uk/commentisfree/2008/jul/02/israelandthepalestinians.civilliberties" target="_blank">http://www.guardian.co.uk/commentisfree/2008/jul/02/israelandthepalestinians.civilliberties</a></p>
<p>e em :<br />
<a href="http://www.uruknet.de/?p=m45350&amp;hd=&amp;size=1&amp;l=e" target="_blank">http://www.uruknet.de/?p=m45350&amp;hd=&amp;size=1&amp;l=e</a></p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/reeditando.wordpress.com/28/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/reeditando.wordpress.com/28/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/reeditando.wordpress.com/28/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/reeditando.wordpress.com/28/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/reeditando.wordpress.com/28/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/reeditando.wordpress.com/28/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/reeditando.wordpress.com/28/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/reeditando.wordpress.com/28/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/reeditando.wordpress.com/28/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/reeditando.wordpress.com/28/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/reeditando.wordpress.com/28/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/reeditando.wordpress.com/28/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/reeditando.wordpress.com/28/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/reeditando.wordpress.com/28/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/reeditando.wordpress.com/28/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/reeditando.wordpress.com/28/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=reeditando.wordpress.com&amp;blog=3935576&amp;post=28&amp;subd=reeditando&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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